Computação quântica e inteligência artificial formam hoje uma camada estratégica que pode redefinir o mapa industrial e científico da Europa. Esta foi a avaliação feita pelo Sottosegretario Alessio Butti no encerramento da sessão plenária do Digital Innovation Forum 2025, em Cernobbio, onde o dirigente enfatizou que a Itália “se está candidatando à liderança” no setor.
Do palco do fórum, Butti destacou que as energias em jogo não são apenas tecnológicas, mas também humanas: “le forze che vengono sprigionate dai suoi imprenditori, dagli scienziati e docenti”. Segundo o Sottosegretario, a posição italiana já aparece entre os primeiros lugares nas classifiche de computação quântica, graças à combinação entre pesquisa acadêmica, iniciativa privada e políticas públicas.
Na leitura de infraestrutura que proponho, o que Butti descreve são os alicerces digitais de uma nova camada produtiva: o binômio entre inteligência artificial e computação quântica funciona como um elo entre “o cérebro e os músculos” do sistema industrial — o algoritmo como infraestrutura que alimenta motores reais de produção e inovação. “È un binomio vincente”, afirmou o responsável pela inovação, acrescentando que isso permite ao país dialogar de forma mais eficaz com a economia real.
Outro ponto ressaltado foi a legislação italiana sobre inteligência artificial, em vigor desde 10 de outubro. Butti defendeu a norma como instrumento para recuperar um conceito de soberania tecnológica e industrial: uma base jurídica que atua como quadro de governança para proteger capacidades estratégicas e promover competitividade.
Butti também mencionou a criação da Q-Alliance, definida no evento como “o mais poderoso hub quântico do mundo”. Para o Sottosegretario, a iniciativa representa “um dado di fatto” e um resultado diplomático relevante alcançado pelo governo, com objetivos claros: acelerar a descoberta científica, fomentar a transformação industrial e reforçar a soberania digital. Na perspectiva sistêmica, a Q-Alliance funciona como um nó altamente conectado na rede europeia de pesquisa — um ponto de troca de dados, talentos e investimentos que pode reconfigurar cadeias de valor.
Butti concluiu a sua intervenção com um apelo para manter a confiança e o ritmo: “Di tutto questo dobbiamo essere orgogliosi. Andiamo avanti con fiducia, non ci possiamo permettere di restare indietro.” Em termos práticos, isso significa acelerar investimentos, consolidar parcerias público-privadas e criar trajetórias de talento que sustentem essa arquitetura emergente.
Da perspectiva de infraestrutura digital, o desafio italiano não é apenas tecnológico: é organizacional. Transformar o potencial em capacidade instalada exige mapear fluxos de dados, conectar centros de pesquisa às linhas de produção e garantir que a legislação proporcione previsibilidade e proteção. Se bem orquestrada, essa convergência entre computação quântica e inteligência artificial pode ser o motor que reposiciona a Itália no pódio da inovação europeia, fortalecendo ao mesmo tempo a sua autonomia tecnológica e industrial.





















