Existe uma Europa que ilumina cidades, vilarejos e bairros com gestos concretos: é a Europa do voluntariado. Silenciosa, porém poderosa, essa rede humana traduz em ações valores essenciais como empatia, cooperação e responsabilidade. No centro dessa mobilização está o Corpo Europeu de Solidariedade, o programa da União Europeia dedicado a engajar jovens em iniciativas de serviço e apoio às comunidades.
Desde o seu lançamento em 2021, o Corpo Europeu de Solidariedade cresceu a olhos vistos. Segundo dados compilados e apresentados à La Via Italia por especialistas do programa, cerca de 550 mil jovens manifestaram interesse em participar, resultando em aproximadamente 7 mil projetos financiados em toda a Europa. Ao todo, são quase 3.600 organizações envolvidas e perto de 65 mil oportunidades de voluntariado disponíveis para diferentes perfis e durações.
No caso da Itália, o balanço revela 794 projetos já realizados, com atividades que vão de ações muito curtas — duas semanas — a compromissos de até um ano, podendo ser individuais ou em grupo. Estes números traduzem mais do que estatísticas: mostram trajetórias pessoais e comunitárias que se entrelaçam e produzem efeitos positivos mensuráveis.
O último relatório da Comissão Europeia sobre o programa aponta impactos robustos: para 98% dos participantes houve um efeito positivo em suas vidas; 97% das organizações relatam benefícios duradouros; e 96% das comunidades locais identificam mudanças positivas para o coletivo. Esses resultados, além de calorosos, são economicamente eficientes: o custo médio por voluntário é estimado em 5.159 euros — um investimento modesto para retornos sociais tão amplos.
Em entrevista à La Via Italia, Barbara Eglitis, do centro de recursos do Corpo Europeu de Solidariedade, ressalta que o programa já é «um dos mais bem-sucedidos no âmbito da juventude» da União. “O voluntariado constrói pontes entre pessoas, setores e países, fortalecendo a coesão social e oferecendo experiências formativas para os jovens“, afirma Eglitis, que acompanha de perto a ação de uma rede de sete centros europeus focados na juventude.
Mais do que formação individual, o Corpo Europeu de Solidariedade contribui diretamente para prioridades políticas da União — da inclusão social à resiliência comunitária —, atuando em áreas como assistência social, educação, meio ambiente e resposta a crises. Essa multifuncionalidade mostra que a solidariedade é também uma ferramenta estratégica: ilumina caminhos de intervenção que geram mudanças tangíveis para cidades e territórios.
Ao observarmos as histórias que emergem desses projetos — jovens que encontram propósito, comunidades que ganham apoio concreto, organizações que se fortalecem — percebemos um testemunho vivo de que é possível semear inovação social com recursos limitados. O desafio para o futuro é ampliar o alcance dessas iniciativas e assegurar que a transformação promovida pelo Corpo Europeu de Solidariedade seja sustentada e replicável.
Como curadora de progresso da La Via Italia, vejo nesse movimento a semente de um renascimento cultural: jovens que, com criatividade e compromisso, estão prontos para tecer laços e iluminar novos caminhos. Em tempos de incerteza, essa Europa do voluntariado nos lembra que a responsabilidade compartilhada e a ação coletiva continuam sendo faróis para um horizonte límpido e mais solidário.






















