Geração Z, nascida entre 1996 e 2012, entrou de vez no centro do debate público global com uma combinação rara: engajamento massivo nas ruas, alta exposição nas redes e uma clareza sobre prioridades — paz, direitos humanos, crise climática e igualdade de gênero — ao lado de tensões político-eleitorais que desafiam rótulos tradicionais.
O fenômeno é heterogêneo, mas com traços comuns detectáveis por apuração rigorosa e cruzamento de fontes. Jovens que se informam predominantemente pelas redes sociais, que acreditam na força de sua própria voz e que, apesar do ativismo progressista em pautas sociais, também têm votado em formações de extrema direita em contextos eleitorais variados. Entre seus anseios práticos, destaca-se a demanda por salários melhores e condições de vida dignas.
Os exemplos recentes são testemunhos do alcance desse movimento. Em 2022, dezenas de milhares de jovens no Sri Lanka saíram às ruas e forçaram a renúncia do então presidente Gotabaya Rajapaksa, que deixou o país. Em 2024, protestos estudantis no Bangladesh provocaram a saída da primeira-ministra Sheikh Hasina do território. Na Indonésia, o presidente Prabowo Subianto manteve-se no cargo apoiado pelas forças armadas, mas não escapou à onda de insatisfação juvenil. No Nepal, manifestantes jovens se organizaram contra o bloqueio de plataformas digitais, a corrupção e a ostentação dos “Nepo Kids” — episódios que resultaram em confrontos com mortos e feridos e forçaram recuos políticos e saídas precipitadas de autoridades.
Em territórios africanos e do Norte da África, a mensagem também ecoa. Em Madagascar e no Marrocos, os jovens exigem condições de vida melhores: em Marrakech, por exemplo, a crítica é dirigida a um governo que prioriza investimentos em eventos esportivos de grande impacto, como a candidatura aos Mundiais de 2030, em detrimento de gastos em educação e saúde.
Na América Latina, as ruas também fervem — Argentina, Peru e México registram mobilizações juvenis por justiça social e reformas. Nos Estados Unidos, o eleitorado jovem foi determinante em eleições locais recentes: a vitória de Zohran Mamdani em Nova York contou com forte apoio de eleitores entre 18 e 29 anos, segundo levantamentos, demonstrando o peso político dessa geração mesmo em democracias consolidadas.
Na Europa, o vigor juvenil mais organizado e raivoso parece concentrado na Sérvia — país fora da União Europeia, mas em processo de negociações para ingresso, com perspectivas de entrada projetadas para cerca de 2030. O protagonismo dos jovens sérvios articula frustrações locais e apelos por mudanças institucionais, compondo um nó crítico para a estabilidade política regional.
O retrato cru é este: uma geração que reclama espaço não apenas por meio de slogans, mas com ações que, por vezes, derrubam governos ou forçam recuos de lideranças. A sua arma preferida é a mobilização digital traduzida em presença física nas ruas. A velha distinção entre ativismo e política institucional se desfoca: a Geração Z quer influência direta e resposta imediata — e isso transforma o mapa do poder em escala global.
A cobertura exige acompanhamento contínuo, verificação in loco quando possível e análise do impacto concreto dessas mobilizações sobre instituições, economia e eleições. Não se trata de um modismo: trata-se de uma mudança duradoura na forma como demandas sociais são colocadas e convertidas em pressão política. A realidade traduzida pelo cruzamento de fontes aponta para uma geração que, entre raiva e esperança, pretende ser protagonista.






















