Firenze, 12 de novembro de 2025 — Na Stazione Leopolda, durante a 17ª edição da BTO – Be Travel Onlife, a consultoria Phocuswright apresentou os dados atualizados do relatório internacional Travel Forward: Data Insights and Trends for 2025. O estudo traça a evolução do setor como um sistema em transformação: não mais em simples recuperação, mas em expansão sustentada por camadas digitais e por uma nova geração de viajantes mais informada e exigente.
Segundo a análise detalhada por Giancarlo Carniani (Italian Analyst, PhoCusWright), o valor global das reservas de viagens atingiu US$1,61 trilhão em 2024, com projeção para US$1,72 trilhão nos anos seguintes e uma taxa de crescimento anual entre 6% e 9%. Esse crescimento é estruturado principalmente sobre a adoção contínua de ferramentas digitais: quase seis em cada dez reservas já são realizadas online, e a participação digital deve subir para 63% até 2026.
As OTAs e os sites diretos dos fornecedores continuam no centro do ecossistema de vendas, mas o relatório aponta para a rápida emergência de aplicativos e plataformas personalizadas alimentadas por inteligência artificial, capazes de gerar roteiros e ofertas sob medida para o viajante. Essa camada de personalização funciona como um alicerce digital que redistribui fluxo de demanda e melhora a eficiência das cadeias de valor.
No mapa regional, os Estados Unidos confirmam-se como o maior mercado mundial, com mais de US$500 bilhões em reservas, seguidos por China e Japão. Europa e Ásia-Pacífico aparecem como polos de forte desenvolvimento, com Alemanha, França e Reino Unido entre os países mais performantes. O Norte da América permanece o motor principal da expansão global, enquanto a Ásia, especialmente China e Índia, registra os maiores índices de crescimento.
Por segmentos, o setor aéreo liderou em 2024, com US$725 bilhões em reservas, o que sinaliza o completo restabelecimento da capacidade global e confirma que três de quatro bilhetes são adquiridos online. O mercado hoteleiro gerou US$573 bilhões, com penetração digital em torno de 55% e forte avanço das reservas via dispositivos móveis. O segmento dos alugueis de curta duração também teve desempenho marcante, alcançando US$176 bilhões em reservas online em 2024, impulsionado principalmente por América do Norte e Europa, com oportunidades claras de crescimento em Ásia e América Latina.
As evidências do relatório indicam que os viajantes europeus demonstram confiança no horizonte, embora manifestem cautela diante do aumento de custos e das questões de sustentabilidade. Do ponto de vista da infraestrutura digital, vemos um deslocamento de cargas de trabalho para plataformas que centralizam dados e automatizam recomendações — o que pode ser lido como a consolidação de um sistema nervoso do turismo, onde o fluxo de dados orienta decisões operacionais e estratégicas.
Para operadores, cidades e formuladores de políticas, o diagnóstico da Phocuswright é claro: a eficiência competitiva daqui para frente dependerá de como cada ator souber integrar algoritmos como infraestrutura, proteger a qualidade dos dados e responder às demandas por experiências personalizadas sem piorar externalidades como impacto ambiental e desigualdade de acesso.
Em suma, o Travel Forward retrata um setor cujo crescimento já não é só recuperação estatística, mas consequência de uma reengenharia estrutural — uma rede de camadas digitais, modelos de inteligência e comportamentos de consumo que redefinem onde e como o valor é criado no turismo global.
Riccardo Neri
Analista de inovação aplicada e voz sobre infraestrutura digital da La Via Italia. Observador das camadas tecnológicas que moldam a mobilidade e o turismo na Europa.






















