Assinado por Alessandro Vittorio Romano – A pesquisa publicada na revista Acta Physiologica revela um caminho metabólico que nos conecta, como pela raiz de uma árvore, ao efeito protetor do jejum intermitente. Um consórcio científico entre a Scuola Superiore Sant’Anna de Pisa, o Istituto di Fisiologia Clinica do CNR de Pisa, a Università di Pisa, a Scuola Normale Superiore e a University of California Irvine identificou o succinato como molécula-chave que media benefícios do jejum sobre o metabolismo e sobre a saúde cerebral em um modelo experimental de obesidade induzida por dieta rica em gorduras.
Paola Tognini, pesquisadora do Centro Health Science da Scuola Sant’Anna e coordenadora do estudo, sintetiza a implicação prática: modular o succinato, por vias nutricionais ou farmacológicas, poderia prevenir não só o diabetes e outras doenças cardiometabólicas, mas também distúrbios do humor e o declínio cognitivo relacionado à obesidade, oferecendo uma proteção neurobiológica que vai além da mera restrição calórica.
O trabalho comparou três cenários: uma dieta equilibrada diária, uma dieta rica em gorduras (modelo de obesidade) e um regime de jejum intermitente — alternando dias de alimentação equilibrada com ciclos de 24 horas de jejum. Como em uma estação que altera lentamente a paisagem, a mudança da dieta rica em gorduras para a dieta equilibrada ou para o jejum levou à redução do peso corporal, da massa gorda e a uma melhora na tolerância à glicose. No entanto, foi somente o jejum intermitente que promoveu mudanças comportamentais notáveis: aumento do comportamento exploratório e queda nos níveis de ansiedade, efeitos associados à diminuição da inflamação cerebral.
Com técnicas avançadas de metabolômica, a equipe liderada por Amalia Gastaldelli, diretora de pesquisa do Istituto di Fisiologia Clinica do CNR, mapeou a assinatura metabólica específica do jejum intermitente. O achado marcante foi uma redução do succinato no plasma concomitante a aumentos desse mesmo metabolito no fígado e no tecido adiposo marrom. Em um gesto experimental que lembra plantar uma semente para observar seu brotar, os cientistas administraram succinato isoladamente e reproduziram grande parte dos efeitos do jejum, sobretudo as alterações comportamentais e a diminuição da inflamação no cérebro.
Esses resultados abrem janelas práticas: se o succinato é o mensageiro entre o metabolismo corporal e o funcionamento cerebral, então estratégias que regulem sua dinâmica — pela alimentação, pela sazonalidade dos hábitos ou por intervenções farmacológicas — podem tornar-se ferramentas para proteger a mente e o corpo em sinfonia. Em termos poéticos, trata-se de harmonizar o “tempo interno do corpo” com os ritmos externos do alimento, colhendo hábitos que nutram tanto a fisiologia quanto o equilíbrio emocional.
Do ponto de vista translacional, a equipe sugere que modular o succinato possa ser uma via promissora para prevenir o diabetes, reduzir o risco cardiometabólico e mitigar o impacto da obesidade sobre o cérebro — incluindo sintomas de ansiedade, alterações comportamentais e potencial declínio cognitivo. Ainda que os experimentos tenham sido conduzidos em um modelo experimental, as pistas metabólicas apontam para novas abordagens nutricionais e terapêuticas que merecem exploração clínica.
Como observador das estações do corpo e da cidade, concluo que a descoberta é mais do que um dado técnico: é um convite para repensar nossas rotinas alimentares como paisagens vivas. O succinato surge como um pequeno mensageiro bioquímico que pode traduzir jejum e nutrição em serenidade cerebral — uma espécie de respiração profunda do organismo que conecta metabolismo, comportamento e bem-estar.
Referência: studio pubblicato su Acta Physiologica, collaborazione Scuola Superiore Sant’Anna, CNR Pisa, Università di Pisa, Scuola Normale Superiore e University of California Irvine.





















