Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: o tema do dia em Melbourne é o novo serviço de Carlos Alcaraz — e a reação sorridente de Novak Djokovic. O episódio remete ao treino viral do espanhol, nos dias de festa, em que utilizou um pequeno cesto de basquete como auxílio técnico. Aquele exercício, amplamente divulgado, tinha um propósito claro: alterar o lançamento da bola no saque.
Desde a chegada a Melbourne, antes mesmo do início do Australian Open, a modificação de Alcaraz virou ponto de discussão entre técnicos e analistas. Formalmente, a mudança consiste em um ajuste do ponto onde a bola é segurada antes do movimento — o espanhol aproxima-a do peito, quase até a garganta, reduzindo a excursão do braço no lançamento. A mecânica lembra, substancialmente, o gesto adotado por Djokovic há anos.
O próprio Novak Djokovic não deixou passar a semelhança sem um comentário público. “Assim que vi, mandei uma mensagem”, disse o sérvio com sorriso contido. Em tom de provocação controlada, acrescentou: “Precisamos falar de direitos autorais. Quando a vi, disse que devíamos conversar sobre a porcentagem. Cada ace que ela fizer aqui, espero um tributo. Vamos ver se ele respeitará o acordo”. A frase foi proferida após sua vitória de primeira rodada, e faz parte do intercâmbio bem-humorado entre os dois principais nomes do circuito.
Djokovic falou sobre o assunto depois de fechar sua partida inicial em sets diretos — um desempenho onde o saque foi pedra angular. O sérvio venceu com números que alarmam adversários: 93% dos pontos jogados com a primeira de serviço foram ganhos e ele não enfrentou sequer uma chance de quebra. Números que já acendem sinal de alerta para seu próximo adversário, o italiano Francesco Maestrelli.
O ajuste de Alcaraz, por outro lado, responde a déficits do espanhol no fundamento do saque. Os números de 2025 mostram que, em boa parte dos indicadores, Jannik Sinner tem vantagem sobre Alcaraz: apenas na porcentagem de primeiras em campo o espanhol aparece à frente. Sinner lidera em ace por primeira bola, melhor taxa de duplas faltas, pontos vencidos no saque (é o primeiro), além de dominar tanto os pontos com a primeira quanto com a segunda. O diagnóstico técnico é claro: Alcaraz precisa de mais consistência e precisão em seus games de saque — uma necessidade parcialmente explicada por sua composição física.
Oficialmente com 1,83 m, Alcaraz é oito centímetros mais baixo que Sinner (1,91 m) e quinze a menos que Alexander Zverev (1,98 m). A menor envergadura reforça a dependência na técnica e na precisão do movimento. A solução encontrada foi justamente a padronização do lançamento: trazer a bola ao peito para garantir um ponto de soltura mais uniforme e encurtar o percurso do braço.
Questionado sobre as semelhanças com Djokovic, Alcaraz admitiu a analogia, mas negou veementemente que tenha se limitado a “copiar” o sérvio. “Ajustei levemente o gesto e me sinto mais à vontade. É mais fluido, mais constante”, disse o espanhol após treinos e jogos recentes. Do lado de Djokovic, a reação foi de elegância combinada com ironia — um lembrete público de que, no alto nível, a convergência técnica entre rivais é ao mesmo tempo inevitável e observada com lupa.
Este é o raio-x técnico do episódio: um gesto aparentemente pequeno — o lançamento da bola — que pode alterar a eficácia do saque e, por consequência, o equilíbrio de partidas. Em Melbourne, a evidência será respondida em quadra, ponto a ponto. A apuração segue acompanhando o desenrolar no Australian Open, com foco nos números e na execução.






















