UniCredit consolida seu retorno estratégico à Polônia, atingindo um volume de crédito às empresas de 917 milhões de dólares — o nível mais alto desde 2011 — e anunciando como meta a abertura de uma rede de 40 filiais voltadas ao varejo no país. A manobra evidencia uma clara aceleração na execução da nova agenda de expansão do grupo sob a liderança de Andrea Orcel.
Uma década após o início do desinvestimento polonês, encabeçado em 2016 pela venda do Bank Pekao como operação não prioritária, o banco milanês está redesenhando sua posição competitiva em Varsóvia. A reentrada operacional, intensificada no ano passado pela integração da Aion Bank NV, foi seguida por uma participação sistemática em financiamentos sindicados de grande porte — incluindo refinanciamentos para plataformas e grupos como Allegro.eu SA, o grupo de moda LPP SA e a utility Ze PAK SA. Essas operações elevaram a exposição de mercado do banco ao patamar de US$917 milhões, posicionando-o entre os dez maiores fornecedores de crédito corporativo na Polônia.
O movimento reflete a maior solidez patrimonial do grupo, que hoje permite uma estratégia distinta da adotada durante as desinvestidas anteriores: em vez de priorizar exclusivamente a liquidez e o reforço de capital, a instituição agora pode calibrar uma ofensiva de crescimento em toda a Europa Oriental, promovendo maior competição nos preços do crédito corporativo.
Para sustentar a expansão, a UniCredit reforçou sua estrutura local, recrutando profissionais experientes nos mercados de capitais vindos de concorrentes internacionais. A proposta comercial tem ênfase em soluções de financiamento cross-border, com cobertura estendida a toda a região do Leste Europeu. Segundo a área de Client Solutions do grupo, o objetivo é posicionar a instituição como parceiro estratégico das grandes indústrias polacas envolvidas em projetos de relevância nacional e regional, combinando presença local com capacidade de alocação de recursos em escala global.
No segmento de varejo, o banco define uma agenda clara: a construção de uma rede física de atendimento com foco em eficiência e capilaridade, o que inclui o plano de chegar a 40 agências no território polonês. A estratégia retail complementa o pilar institucional e tende a explorar sinergias entre plataformas digitais e atendimento presencial, permitindo à instituição captar tanto clientes corporativos quanto pessoas físicas de alto valor.
No pregão de segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, as ações da UniCredit recuaram 1,4%, cotadas a 71,58 euros, num cenário de fraqueza generalizada do FTSE MIB e em meio à incerteza sobre tarifas internacionais que pesa sobre mercados globais. Os investidores aguardam agora a divulgação dos resultados do quarto trimestre e do exercício fiscal de 2025, marcada para 9 de fevereiro, que deverá fornecer mais clareza sobre a execução da estratégia e a capacidade de conversão das iniciativas comerciais em lucro sustentável.
Em termos de risco e oportunidade, a retomada na Polônia funciona como um motor de teste para a capacidade do grupo de acelerar tendências de crescimento sem comprometer a disciplina de capital. A calibragem fina entre expansão e prudência regulatória será determinante para que a instituição mantenha a trajetória de competitividade, em especial num ambiente onde os freios e ajustes de política macroeconômica podem alterar rapidamente o custo do crédito.
Como estrategista de mercado, observo que a jogada polonesa da UniCredit combina engenharia financeira e posicionamento de rede — dois elementos essenciais para converter presença geográfica em vantagem competitiva. A aceleração é clara; a qualidade da execução dirá se a instituição transformará escala em rentabilidade sustentável.






















