Em uma etapa decisiva de sua missão asiática, a primeira-ministra Giorgia Meloni foi recebida na Casa Azul de Seul pelo presidente Lee Jae-myung, onde assinou um memorando que reforça a cooperação entre Itália e Coreia do Sul em setores de alta tecnologia. O acordo, centrado em semicondutores e metais críticos, tem foco em pesquisa conjunta, troca de especialistas e no redesenho das cadeias de abastecimento para maior resiliência.
“Precisamos repensar as nossas cadeias de aprovisionamento para torná-las mais sólidas, fortes e controláveis”, declarou a primeira-ministra, sublinhando a necessidade de uma calibragem fina das políticas industriais — como se ajustássemos um motor para obter mais torque sem perder eficiência.
O memorando de entendimento envolve a associação coreana do setor, Ksia, e a federação italiana das indústrias eletrotécnicas e eletrônicas, Ante-Ce. A colaboração prevê programas de P&D, intercâmbio de pesquisadores e iniciativas para reduzir dependências externas em cadeias críticas que alimentam a indústria automotiva e as telecomunicações, áreas em que falhas no fornecimento atuam como freios fiscais sobre o crescimento.
Do ponto de vista comercial, a parceria tem significado concreto: a exportação italiana para a Coreia do Sul equivale a cerca de €6,2 bilhões por ano, enquanto as importações do país asiático somam aproximadamente €5,8 bilhões. No entanto, alertou-se para uma tendência de enfraquecimento recente — as exportações italianas registraram queda em 2023 e 2024 — e a missão de Meloni a Seul também tem o objetivo claro de reverter essa desaceleração.
Para além dos números, o encontro teve tons pessoais e diplomáticos. Meloni comentou, em tom leve, que se aproximou do universo do K-pop graças à sua filha, e recebeu elogios pela destreza no uso de hashis durante um jantar, um detalhe que humaniza a foto oficial e facilita o relacionamento institucional.
Como estrategista econômica, vejo esse acordo como uma peça-chave do design de políticas industriais: trata-se de colocar a Itália numa posição de maior controle sobre insumos críticos, acelerando sinergias tecnológicas sem sacrificar a autonomia estratégica. A cooperação com a Coreia do Sul pode funcionar como uma aceleração calibrada do motor da economia italiana, combinando conhecimento avançado em semicondutores com as competências industriais nacionais.
A assinatura em Seul lança caminhos para investimentos conjuntos e fortalece pontes que vão além do comércio imediato — trata-se de construir uma arquitetura de confiança tecnológica, capaz de sustentar exportações e inovação. A missão também envia um sinal aos mercados: a Itália busca não apenas recuperar volumes, mas elevar a qualidade e a segurança das suas cadeias produtivas, adotando uma postura proativa perante riscos geoeconômicos.
Em resumo, o memorando com a Coreia do Sul não é apenas um acordo simbólico; é uma manobra estratégica para reconfigurar rotas de suprimento, desenvolver capacidades internas e garantir que o impulso exportador encontre pavimentação estável para avançar.





















