As autoridades francesas abriram uma investigação sobre uma possível **interferência estrangeira** após a detenção de um membro da tripulação de nacionalidade **letã** relacionado ao achado de um **malware** a bordo do traghetto Fantastic, da companhia italiana GNV, atracado no porto de Sète, no sul da França.
Fontes citadas por Le Parisien apontam que os investigadores estão avaliando um eventual «ligamento com a **Rússia**», enquanto os exames forenses digitais procuram determinar o vetor de infiltração, o nível de controlo conseguido pelo código malicioso e eventuais conexões externas. As autoridades italianas tinham alertado previamente que o sistema operativo do navio poderia ter sido comprometido por um Remote Access Trojan (RAT), um tipo de **malware** capaz de controlar remotamente sistemas embarcados.
O traghetto Fantastic tem capacidade para mais de 2.000 passageiros. O achado do software malicioso em plataformas que gerem a operação de um navio levanta questões críticas sobre a resiliência das infraestruturas marítimas: os controladores de bordo, os painéis de navegação e os sistemas de comunicação funcionam como o sistema nervoso de uma embarcação; a sua integridade é condição indispensável para a segurança de tripulação, passageiros e do próprio porto.
Do ponto de vista técnico, um Remote Access Trojan não é apenas uma intrusão: é uma porta atrás que permite supervisão e intervenção remota, tornando possível, em tese, manipular sistemas de bordo, recolher dados sensíveis ou interromper operações. Ao mesmo tempo, a investigação tende a ser complexa, porque os ambientes marítimos combinam hardware de fabrico diversificado, software legado e ligações de rede intermitentes — camadas de uma infraestrutura digital que exigem metodologia forense especializada.
As autoridades francesas estão a conduzir interrogatórios e a recolher evidências digitais, enquanto as equipas italianas colaboram para traçar o rasto da intrusão. Procedimentos habituais incluem isolamento de sistemas afetados, cópia forense dos discos e registos de rede, análise de logs e identificação de comunicações externas. Essa sequência técnica é o equivalente a analisar as fundações e as tubulações de um edifício quando se detecta uma infiltração: é preciso mapear o problema para corrigir a estrutura.
Do ponto de vista estratégico, o episódio reforça a necessidade de políticas de **segurança cibernética** orientadas para infraestruturas críticas — não só para portos e navios, mas para as redes urbanas que dependem do fluxo contínuo de pessoas e mercadorias. Em zonas costeiras e portos inteligentes, o alicerce digital tem de ser tratado com a mesma prioridade da segurança física: segmentação de redes, atualizações controladas, monitorização contínua e planos de resposta robustos.
Enquanto a investigação prossegue, permanece a obrigação de transparência entre operadores, autoridades e passageiros, e a preocupação em mitigar riscos sistémicos. Em termos práticos, a ação combina perícia forense, cooperação judicial internacional e medidas de contenção técnica — procedimentos que visam restaurar a confiança numa peça essencial da infraestrutura de mobilidade europeia.






















