Neste início de ano, ocorreu o primeiro encontro de 2026 entre a Lua cheia e o ponto de menor distância entre a Terra e a Lua — o chamado perigeu lunar. O fenômeno, popularmente conhecido como superlua, é percebido como um ligeiro aumento das dimensões aparentes do disco lunar vista a partir da Terra. Embora o termo superlua faça parte do vocabulário jornalístico e do imaginário coletivo, a nomenclatura científica correta para o momento de maior aproximação é perigeu.
Esta primeira ocorrência do ano recebeu também o nome tradicional de Luna del Lupo (ou ‘Lobo’), uma designação cultural que remonta às tradições de identificar luas cheias do calendário anual. Do ponto de vista dinâmico, a explicação reside na órbita elíptica da Lua: em determinados momentos ela transita mais próxima da Terra (perigeu) e, quando isso coincide com a fase de Lua cheia, o nosso satélite surge um pouco maior e mais brilhante no céu.
Como analista focado na arquitetura dos sistemas que sustentam a vida urbana, costumo comparar tais eventos a um pulso visível no sistema nervoso das cidades: a intensidade da luz e a atenção pública aumentam por algumas horas, como se um sinal atravessasse as camadas de infraestrutura social e tecnológica. A visibilidade do fenômeno depende de condições atmosféricas, poluição luminosa e da posição do observador; em zonas urbanas densas, contraste e nitidez são menores, mas o espetáculo ainda é notório.
É importante ressaltar, sem alarmismos, que os efeitos físicos do perigeu sobre a Terra — por exemplo, variações nas marés — são reais, porém moderados e bem compreendidos pelos modelos geofísicos. Não há impactos sistêmicos inesperados sobre infraestrutura urbana ou redes críticas; o evento é sobretudo de interesse observacional, cultural e científico amador.
Para quem planeja observar ou fotografar a superlua, algumas recomendações práticas: escolha um ponto com horizonte limpo para capturar a Lua próxima ao nascer ou pôr, quando a ilusão de tamanho é mais pronunciada; use tripé para maior nitidez; em smartphones, posicione objetos de referência (prédios, árvores) no primeiro plano para enfatizar a escala. A captura técnica é simples, mas a composição faz a diferença.
Como elemento do nosso imaginário coletivo, a Luna del Lupo funciona também como um lembrete sobre as camadas de inteligência que operam em silêncio — observatórios, redes de sensoriamento e plataformas de divulgação científica — que traduzem um fenômeno físico em informação acessível para o público. Em tempos nos quais dados e imagens circulam instantaneamente, eventos astronômicos curtos tornam-se pontos de convergência entre ciência, tecnologia e cultura urbana.
Em resumo: a superlua de 2026 é um espetáculo genuíno e relativamente discreto do ponto de vista físico, mas relevante enquanto evento observacional e cultural. Para os cidadãos e tomadores de decisão na Itália e na Europa, é mais uma ocasião para exercitar a alfabetização científica e fortalecer a relação entre população, espaços urbanos e as ‘camadas de inteligência’ que tornam a observação possível.






















