Sessão marcada por forte nervosismo nos mercadores europeus, impactados pelo novo aumento da incerteza gerado pelas declarações cada vez mais beligerantes de Donald Trump — tanto sobre a Groenlândia quanto sobre tarifas (ou dazi). O clima de aversão ao risco dominou os pregões: as bolsas europeias fecharam majoritariamente em baixa, com destaque negativo para a Borsa di Milano, que recuou 1,12%.
Em Milão, o setor industrial foi o mais afetado, com impacto pronunciado no produtor de microchips STMicroelectronics, que caiu quase 5%. Também registraram desempenho fraco os setores de energia e o bancário, pressionados pela perspectiva de aumento de custos comerciais e maior volatilidade geopolítica. Um ponto de destaque e exceção foi o papel da defesa: a Leonardo sobressaiu como único título do índice principal em forte alta, em linha com a tendência positiva do setor de defesa na Europa.
No exterior, a influência setorial foi visível em Frankfurt e Paris: empresas de defesa como Rheinmetall e Thalès avançaram mais de 1%, refletindo realocação de portfólios em direção a ativos considerados defensivos diante do aumento das tensões.
Enquanto isso, Wall Street permaneceu fechada devido ao feriado de Martin Luther King Jr., mas os futuros — que operam 24 horas — indicavam abertura negativa para as negociações seguintes. Esse sinal pré-mercado reforçou a cautela entre gestores de carteira, que ajustaram posições antes da potencial aceleração de eventos geopolíticos.
No mercado de metais preciosos, a aversão ao risco impulsionou os preços: o ouro aproximou-se de US$ 4.670 por onça, enquanto a prata caminhou para perto da marca de US$ 100. Esses movimentos ilustram a busca por ativos de porto seguro quando o motor da economia sofre uma brusca desaceleração de confiança, exigindo uma nova calibragem de riscos em carteiras diversificadas.
Do ponto de vista estratégico, a sessão confirma que declarações políticas com potencial de alterar fluxos comerciais funcionam como um freio temporário — e por vezes duradouro — para o apetite por risco. Investidores institucionais relembram que, em momentos assim, é crítico revisar alocações e colocar ênfase em gestão ativa de liquidez e proteção cambial.
Como economista com foco em desempenho e governança de ativos, observo que esse episódio é um lembrete da interdependência entre política e mercados: assim como num projeto de engenharia de alta precisão, é necessária uma calibragem fina entre política fiscal, tarifas e expectativas de mercado. A velocidade das reações nos preços mostra a importância de mecanismos de hedge e de análise robusta de cenário — elementos que atuam como transmissão e suspensão do risco em portfólios sofisticados.
Em suma: sessão europeia negativa, com Milão entre as piores, impacto relevante em industriais e bancos, exceção para ações de defesa como Leonardo, e movimentos fortes em ouro e prata diante de tensões geopolíticas e sinais de possíveis tarifas amplificadas por declarações sobre a Groenlândia. Fique atento à abertura dos mercados americanos, que pode trazer nova aceleração nas tendências.






















