Por Alessandro Vittorio Romano — Ao observar a paisagem íntima do corpo humano, os cientistas italianos trouxeram à luz uma explicação que liga o envelhecimento do DNA à degeneração observada no Alzheimer. Uma pesquisa coordenada por Fabrizio D’Adda Di Fagagna identifica os telômeros — as extremidades dos cromossomos que se desgastam com o tempo — como elementos que não apenas sinalizam idade, mas que podem atuar como motores da neurodegeneração.
O estudo, realizado em colaboração entre Ifom-Ets (Istituto AIRC di oncologia molecolare), o Istituto Italiano di Tecnologia e a Universidade de Florença, foi publicado em The EMBO Journal. Inscrito no grande programa de pesquisa Age-It — Ageing Well in an Ageing Society — financiado pelo PNRR, o trabalho traz um olhar sensível sobre como a colheita das nossas vidas celulares influencia a paisagem da mente à medida que envelhecemos.
“O envelhecimento é o principal fator de risco para molteplici malattie, inclusi cancro, malattie cardiovascolari e malattie neurodegenerative. In questo caso abbiamo esteso le nostre ricerche alla malattia di Alzheimer che condivide con l’invecchiamento e le sue malattie l’accumulo di danno al DNA”, explica Fabrizio D’Adda Di Fagagna, coordenador da pesquisa. Em síntese, a equipe demonstrou que o dano persistente aos telômeros não é apenas um marcador da idade: trata-se de um mecanismo causal da patologia.
Traduzindo para um vocabulário do cotidiano: assim como as margens de uma vinha mostram as marcas das estações e das colheitas passadas, os telômeros guardam a memória dos estresses celulares. Quando essa memória se torna ferida crônica, ela pode alterar a saúde das células nervosas, empurrando-as rumo à disfunção e à perda progressiva que caracterizam o Alzheimer.
O impacto dessas descobertas é duplo. Primeiro, amplia nossa compreensão sobre por que o envelhecimento favorece doenças neurodegenerativas: não apenas pelo passar do tempo, mas pelo acúmulo de danos moleculares que comprometem a integridade do DNA. Segundo, abre um caminho para buscar novos alvos terapêuticos: modular a integridade dos telômeros ou as vias que respondem ao seu dano pode se tornar uma estratégia para frear ou alterar o curso da doença.
Essas conclusões ganham relevância diante do cenário global: o Alzheimer é a forma mais comum de demência e afeta hoje mais de 55 milhões de pessoas no mundo. Pesquisas dentro do consórcio Age-It, apoiadas pelo PNRR, reforçam a urgência de conectar políticas públicas, ciência translacional e práticas de bem-estar que preservem a resiliência celular ao longo das estações da vida.
Como alguém que observa a respiração da cidade e os ciclos do corpo, vejo nesta descoberta um convite para cuidar das raízes do bem-estar: hábitos que protegem o DNA, a nutrição adequada, o movimento regular e o sono reparador são parte da savia que sustenta nossos telômeros. A pesquisa italiana mostra que tratar o envelhecimento como um processo biológico abordável pode transformar a maneira como prevenimos e intervimos no Alzheimer.
Em tempos em que o relógio biológico dita silenciosamente muitos destinos, entender e preservar os telômeros é como cuidar do solo antes da próxima colheita — uma prática que pode render frutos de saúde para as próximas gerações.





















