Em declaração espontânea perante a Corte de Assise de Apelação de Roma, Marco Mottola reiterou com veemência que é inocente e negou qualquer envolvimento no delitto di Arce que vitimou Serena Mollicone em 2001. O réu — acusado juntamente com o pai e a mãe — apresentou sua versão dos fatos, buscando refutar as acusações que pesam sobre ele há mais de duas décadas.
“Sou inocente, não fiz mal a Serena nem a meus familiares. Não sei quem a feriu. Aquele dia ela nunca veio à minha casa”, declarou Mottola aos magistrados, segundo registro da audiência. O réu contestou explicitamente a hipótese de tê-la empurrado contra uma porta: “A suposição de que eu tenha empurrado Serena contra a porta é falsa e está nos arruinando a vida”.
Mottola explicou ainda que tomou conhecimento da existência de uma porta danificada dentro da caserma dos carabinieri apenas em março de 2008. “Meu pai me contou que a havia danificado durante uma discussão com minha mãe”, afirmou. O réu descreveu uma cadeia de versões e retratações por parte de testemunhas, citando um episódio em que um declarante teria se arrependido, retratado a retratação e que, depois de uma sequência de eventos, se suicidou.
No depoimento, Mottola relatou a rotina do dia 1º de junho citado no processo: afirmou que saiu de casa tarde, certamente após as 11h40, e que testemunhas e registros telefonêmicos não indicam visitas a sua residência naquela manhã. “Não veio me ver ninguém em qualquer horário, e não existem vestígios telefônicos em tal sentido”, disse. Ele negou ter saído com seu carro ou com veículo de terceiros, e declarou que, se tivesse saído, o piantone Tuzi o teria visto entrar e sair da caserna.
O réu também refutou versões que o colocam em bares da cidade naquela manhã: “Certamente não estive no bar Pioppetelle ou no Della Valle”. Desmentiu ainda a compra de cigarros Marlboro light — “na época eu fumava Marlboro vermelhas” — e negou ser o jovem loiro com mechas descrito por Carmine Belli; lembrou que o próprio Belli, em instantes, afirmou que não se tratava dele.
Mottola admitiu ter dito, em interrogatório, uma hipótese sobre ter estado no bar Pioppetelle acompanhado por Laura Ricci, explicando tratar-se de uma suposição feita em momento de confusão para evitar problemas. “Em 2002, telefonei para Laura apenas para avisá-la sobre o que eu havia dito à polícia, porque o pai dela poderia saber que estávamos juntos e isso, a meu ver, poderia causar problemas”.
Ao mencionar depoimentos posteriores, Mottola criticou relatos que teriam detalhado aspectos de sua vida íntima. “Li que Laura Ricci, ouvida em 2018 por carabinieri, falou sobre nossos encontros sexuais — e eu não entendo a razão. Acredito que o marido dela, Luigi Germani, carabiniere, ao saber disso, se tenha irritado e se posicionado”.
As declarações de Marco Mottola foram produzidas no contexto de um processo que, por mais de vinte anos, tenta elucidar a morte de Serena Mollicone, estudante de Arce (província de Frosinone) encontrada sem vida no bosque de Fontecupa em junho de 2001. O caso permanece entre os mais complexos e debatidos na crônica judiciária italiana, exigindo apuração in loco e cruzamento rigoroso de fontes para separar fatos brutos de especulação.
Como correspondente, registro que o processo segue com instruções técnicas e probatórias em fase de reavaliação, enquanto as defesas procuram desconstruir pontos-chave das acusações com base em rastros telefônicos, cronologias e contradições entre testemunhos.





















