Nos arredores de Roma, entre colinas que respiram história e vinhedos, o refúgio gastronômico de Antonello Colonna brilha como um farol discreto: um resort imerso no verde onde a cozinha estrelada encontra pesquisa, acolhimento e um jeito muito pessoal de receber. Em entrevista à La Via Italia, o chef fala sobre a nomeação para chefiar as equipes italianas nas Olimpíadas Milano‑Cortina 2026, suas criações e projetos que semeiam inovação no terreno da gastronomia.
“Aceitei esta missão com alegria e responsabilidade — é como iluminar um novo caminho”, diz Colonna, que já levou sua cozinha a grandes eventos esportivos no passado, incluindo duas Copas do Mundo e as Olimpíadas de Atlanta. Para ele, alimentar atletas é também alimentar um sonho coletivo: oferecer nutrição, técnica e tradição com olhar contemporâneo.
Entre os lançamentos mais recentes está a linha de panelas profissionais Steel Pan, criada em parceria com a designer Carmen Sollo. Produzidas com tecnologia “liga sobre liga” em aço, sem aditivos químicos, as panelas foram apresentadas por meio de um vídeo promocional de tom quase cinematográfico. “Gosto de cinematografia; gosto de contar através da imagem. Este spot foge do tradicional e me lembr a mais profissões e disciplinas esportivas do que o estereótipo do cozinheiro”, comenta o chef, sempre interessado em renovar imaginários.
Na conversa, Colonna também reflete sobre a crescente participação de atletas em campanhas publicitárias — como vimos com nomes como Jannik Sinner. Para ele, é uma combinação natural: “Quando um profissional do esporte empresta sua imagem ao alimento, isso funciona. Não vejo ciúmes; posso até me orgulhar. No contar do prato, talvez sejamos nós os mais aptos, mas a sinergia é positiva”.
Sobre futebol e ícones do esporte, o chef usa uma metáfora culinária para falar de Paulo Dybala: “Dybala? Um prato com nuances.” A frase revela a visão de Colonna sobre personalidades públicas — complexas, multifacetadas e passíveis de interpretações sutis, como uma receita que se descobre aos poucos.
O diálogo avança para o significado do Made in Italy, que hoje conta até com um Ministério dedicado. Colonna resgata uma perspectiva ampla: “O Made in Italy não é apenas uma etiqueta; é um estilo de vida. Vai do século XIX até hoje. É cultura, técnica, ética de produção — e por isso defendo que o conceito seja mais abrangente do que um simples selo”. Essa defesa do patrimônio produtivo italiano também se traduz em escolhas de ingredientes, cadeias curtas e transparência nas cozinhas.
Ao final, o chef reafirma seu papel como articulador: entre pratos que nutrirão atletas e projetos que renovam a indústria, ele quer tecer laços e semear soluções reais. “A cozinha é um instrumento para construir legados: cuidar das pessoas, promover sustentabilidade e celebrar o talento coletivo”, conclui, com um olhar que ilumina horizontes.
Em tempos em que esporte, cultura e produção se entrelaçam, a figura de Antonello Colonna surge como a de um curador de progresso — alguém que cultiva valores, amplia narrativas e prepara o terreno para novas colheitas. E, como em uma boa receita, cada nuance conta.






















