Em um ano que desenha uma verdadeira colheita de inovação para a saúde europeia, a EMA recomendou a aprovação de 104 novos medicamentos ao longo de 12 meses. Esse conjunto desenha a nova mapa das terapias na União Europeia, com impacto em áreas como oncologia, endocrinologia, metabolismo, neurologia, imunologia, doenças infecciosas e no sistema cardiometabólico (diabetes e obesidade).
O Comitê de Medicamentos para Uso Humano (CHMP) registrou um dos valores mais altos dos últimos quinze anos, com a seguinte composição das recomendações: 38 novas substâncias ativas, 16 medicamentos órfãos, 4 terapias avançadas (ATMP), 41 biossimilares e 10 genéricos. Destacam-se também 6 medicamentos incluídos no programa PRIME, dedicado a terapias que atendem necessidades clínicas ainda não satisfeitas.
Um dado chama atenção pela sua força simbólica: quase 40% das recomendações são de biossimilares, a maior proporção já registrada. Os biossimilares representam alternativas biológicas altamente semelhantes a medicamentos já existentes, potencialmente tornando tratamentos complexos mais acessíveis e aliviando o orçamento dos sistemas de saúde — como uma safra que amplia a oferta dentro de um mesmo terreno fértil.
Steffen Thirstrup, Chief Medical Officer da EMA, observou que 2024 foi «o ano mais intenso dos últimos quinze anos», atribuindo parte do movimento ao processamento de dossiês que havia sido adiado durante a pandemia de Covid. É uma lembrança de que os ritmos externos — como o tempo de uma estação — influenciam o tempo interno das agências regulatórias e, por consequência, a chegada de terapias ao paciente.
As novidades incluem inovações para o tratamento de doenças crônicas como diabetes e obesidade, avanços oncológicos, e progressos em áreas neuroimunológicas e de doenças infecciosas. Embora nem todos os produtos recomendados representem mudanças radicais na prática clínica, a combinação entre novas moléculas, ATMP e um volume recorde de biossimilares sugere uma janela de renovação terapêutica e de maior competição no mercado.
Para o cidadão e o profissional de saúde, esse fluxo de aprovações é como a primavera que renova um jardim: abre possibilidades de escolhas terapêuticas, potencial redução de custos e alternativas para pacientes que aguardavam por opções. Resta agora observar a tradução dessas recomendações em autorizações nacionais, acesso real nos sistemas de saúde e, sobretudo, nos resultados para quem vive com doenças crônicas e complexas.
Como observador da vida cotidiana italiana e do delicado entrelaçar entre ambiente e bem-estar, vejo neste momento a importância de acompanhar não só as aprovações técnicas, mas também como essas novidades serão assimiladas na prática clínica, nas farmácias e nas mesas das famílias. A inovação precisa encontrar solo fértil — sistemas organizados, políticas de preço e reembolso e, afinal, a confiança de profissionais e pacientes — para que a promessa terapêutica floresça.
Em suma: a Europa colhe agora um ano de intensa atividade regulatória. Entre novas substâncias, terapias avançadas e um recorde de biossimilares, o mapa das novas curas se redesenha com promessas e desafios — e com a oportunidade de traduzir ciência em cuidado concreto.





















