Quando cidadãos são forçados a escolher entre se tratar ou comer, o país mostra que o seu sistema social fracassou. Diante dessa realidade, restam duas alternativas claras: ou quem governa implementa um plano estrutural real para amparar quem está em dificuldade, ou reconhece seu fracasso e abre espaço para alternativas políticas. Essa é a linha dura do diagnóstico que trago após anos de acompanhamento direto das políticas sociais italianas.
Fazer política significa colocar-se a serviço dos cidadãos. Não se protege quem precisa impondo que famílias financiem os auxílios básicos ou limitando a remuneração dos caregivers a valores simbólicos — 400 euros por mês não resolvem nem a dignidade do trabalho nem as necessidades assistenciais complexas que envolvem cuidados contínuos. Também não corresponde à realidade a narrativa de que “não há dinheiro”: quando há interesse político e econômico em um setor, as coberturas orçamentárias aparecem.
O welfare permanece um dos setores mais penalizados em termos de orçamento. Trata-se de uma escolha política, não de inevitabilidade financeira. Investir no assistência social gera dois efeitos comprováveis: o povo vive melhor e, consequentemente, aumenta sua produtividade; e quem governa ganha legitimidade e apoio popular se promove bem-estar real. Esses são fatos que não se improvisam, exigem planejamento estrutural e prioridades orçamentárias claras.
Ao longo de muitos anos me dediquei a questões sociais com método de reportagem: apuração in loco, cruzamento de fontes e atuação junto a movimentos cidadãos. Lembro-me das mobilizações do Comitato 16 Novembre, quando manifestantes resistiam ao frio diante do Ministério da Economia e Finanças. Mantive contato direto com os organizadores desde Bassano del Grappa e, simultaneamente, dialoguei com técnicos do Ministério para garantir que as demandas fossem recebidas e escutadas. Graças à sensibilidade de alguns funcionários foi possível obter pequenos aumentos na pensão de invalidez. Na época, o ministro responsável era Giulio Tremonti.
Havia a expectativa de que o governo atual — anunciado como capaz de promover uma virada — adotasse uma postura efetiva em relação às urgências sociais. A realidade, até agora, demonstra o oposto: medidas de apoio a quem vive em condição de vulnerabilidade têm sido reduzidas ao mínimo essencial. A metáfora é dura, mas precisa: trata-se de um predador que paralisa a presa sem dar-lhe a chance de sobreviver com dignidade.
Enquanto repórter, persistirei em dar voz aos fatos e às pessoas reais por trás das cifras e das comunicações oficiais. A imprensa tem a obrigação de manter acesa a luz sobre o cotidiano de quem sofre as consequências das escolhas públicas. Convido leitores a não se resignarem.
Para relatar suas histórias, contatos: [email protected] e [email protected].
Apuração, cruzamento de fontes e fatos brutos: essa é a realidade traduzida que continua a guiar meu trabalho.
















