Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes direto da Itália. Depois de 15 anos no topo do esqui de fundo, Federico Pellegrino foi indicado como um dos portadores da bandeira da Itália na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Milano-Cortina 2026. A escolha reconhece uma trajetória marcada por resultados e consistência: é o italiano com mais vitórias na Copa do Mundo de esqui de fundo (17 triunfos), dono de um ouro, sete medalhas em Mundiais e duas pratas olímpicas.
Pellegrino anunciou também que irá se despedir de forma oficial do circuito em sua cidade natal, Saint-Barthelemy, em 28 de março, com uma festa de encerramento. Antes desse momento pessoal, porém, há um objetivo coletivo e imediato: representar a Itália na Olimpíada em casa, vestindo o tricolor na abertura.
Questionado sobre o significado de ser o primeiro nascido na Valle d’Aosta a exercer o papel — entre Jogos de verão e inverno — Pellegrino foi claro e direto: estar ao lado de Federica Brignone, com quem divide a honra, confirma que “algo eu realmente fiz” ao longo da carreira. “Ser escolhido quer dizer que algo eu combinei, não só no esporte, mas também fora das pistas”, disse, lembrando que estreou na Copa do Mundo logo após Vancouver 2010 e que fechar o ciclo em casa é simbólico.
Na análise técnica, Pellegrino reconhece a transformação competitiva dos últimos anos. No Tour de Ski e nas temporadas recentes, houve uma nítida progressão nas provas de distance e, paradoxalmente, uma leve retração nas sprint. Até Pequim 2022, sua meta principal eram as sprints; a medalha de Pyeongchang 2018 em técnica clássica e o percurso entre Sochi 2014 e Pequim 2022 evidenciam essa busca. A virada não foi obra do acaso: casamento com a esquiadora Greta Laurent, mudança de vida após 2022 e a confiança construída com o treinador Markus Kramer contribuíram para que ele se visse competitivo também nas provas longas.
No Mundial de 2025, Pellegrino afirmou ter apresentado o melhor desempenho global da carreira. “Dez anos atrás seria quase ficção estar a centímetros de uma medalha em provas de distance”, avaliou com precisão técnica. Hoje, admite sentir-se mais seguro para buscar resultados expressivos em distância do que nas sprints.
Sobre as expectativas em Milano-Cortina 2026, o atleta detalhou a estratégia: a prova de 50 km ficará para o final do programa, depois das competições por equipes, onde vê a Itália com reais chances de pódio. “Não quero pensar demais na 50 km agora. No skiathlon não posso me esconder: tenho ambições”, afirmou, sem retórica, citando o calendário e a lógica de preparação.
Ao ser questionado sobre a exclusão dos atletas russos dos eventos, Pellegrino adotou uma postura que prioriza o valor integrador do esporte: “Penso que, pelo bem do mundo, o esporte deva unir”. A fala foi proferida com a mesma objetividade que marca sua leitura técnica — sem mitificações, mas com um apelo à função social do espetáculo esportivo.
Em termos práticos, a nomeação como portabandiera dá a Federico Pellegrino um impulso mental e simbólico para enfrentar o desafio das Olimpíadas em casa. Aos 15 anos de destaque e com estatísticas sólidas, ele fecha um capítulo pessoal com selo de credibilidade esportiva e abre outro com responsabilidade coletiva: representar a Itália, contribuir para a equipe e tentar acrescentar mais um resultado de elite a um currículo já robusto.
Fatos brutos, cronologia e verificações: estreia na Copa do Mundo logo após Vancouver 2010; 17 vitórias em Copa do Mundo; 1 ouro e 7 medalhas em Mundiais; 2 pratas olímpicas; despedida marcada para 28 de março em Saint-Barthelemy; portador da bandeira na abertura de Milano-Cortina 2026. A cobertura segue acompanhando, em apuração em campo, os preparativos finais do atleta e a logística da cerimônia de abertura.






















