Por Giulliano Martini — Em uma noite marcada por decisões controversas e cenas de confusão, Senegal conquistou a sua segunda Copa Africana. O gol que decidiu a partida saiu aos 4 minutos do primeiro tempo suplementar, em um chute de fora da área de Pape Gueye, que deu ao país a vitória sobre o Marrocos. Porém, o resultado ficará em segundo plano diante dos episódios que mancharam a final.
O jogo ficou marcado por um pênalti contestado concedido ao Marrocos aos 98 minutos, quando Brahim Diaz caiu na área após um contato com Diouf. Antes, aos 92 minutos, um gol de Sarr foi anulado por um suposto falta de Seck sobre Hakimi. A partida chegou a ser interrompida por 16 minutos, quando os futuros campeões regressaram ao vestiário por ordem do treinador Pape Thiaw.
O retorno ao gramado só ocorreu após a intervenção de Sadio Mané, que entrou em campo para acalmar a situação e evitar que a equipe sofresse sanções disciplinares que poderiam comprometer a participação em competições futuras. Já na cobrança do pênalti, Brahim Diaz tentou um cucchiaio, mas viu o tiro ser defendido pelo goleiro Mendy.
Ao longo do episódio, houve pequenas altercações nas áreas técnicas: cerca de cem pessoas se empurraram e gritaram, enquanto o árbitro da República Democrática do Congo, Jean-Jacques Ngambo Ndala, foi visto em campo tentando identificar atletas para aplicar advertências. A cena foi descrita por observadores como uma farsa que não contribui para a consolidação do futebol africano, num momento em que o nível técnico do continente vinha apresentando avanços consistentes.
As tensões se intensificaram mesmo na cerimônia de premiação, palco da presença do presidente da FIFA, Gianni Infantino. Fontes presentes relataram um claro desconforto do dirigente no momento da entrega das medalhas. Apesar disso, Infantino fez gestos de conciliação e encerrou a cerimônia com palavras de apelo à unidade.
Fora do cenário de caos, o aspecto esportivo também explica o desfecho. O Marrocos carregava a pressão de uma nação de aproximadamente 38 milhões de habitantes, obcecada por um título que não vem desde 1976, o que, segundo analistas, somou um peso extra sobre os atletas. Além disso, os investimentos maciços esperados para coroar a campanha aumentaram a expectativa e o nervosismo.
O Senegal, vencedor da edição de 2021, apresentou uma equipe equilibrada e robusta. Com o sistema habitual 4-3-3, forte desempenho atlético e peças-chave em todos os setores — do goleiro Mendy aos volantes Idrissa e Pape Gueye, até o trio ofensivo com Sadio Mané — os Leões de Teranga mostraram maior linearidade e controle durante boa parte do jogo. O Marrocos teve dificuldades para impor seu estilo e não conseguiu responder à consistência senegalesa.
O episódio levanta questões sobre arbitragem, controle disciplinar e organização de jogos de alto risco em competições continentais. A imagem final da partida — atores principais divididos entre a glória esportiva e uma sucessão de irregularidades — deixa um rastro de desconfiança que a confederação africana terá de enfrentar para preservar a credibilidade do torneio.
Resumo dos fatos verificáveis: Senegal campeão com gol de Pape Gueye aos 4′ do primeiro tempo extra; gol de Sarr anulado aos 92′; partida interrompida por 16 minutos com retorno ao vestiário por ordem do treinador Pape Thiaw; pênalti concedido ao Marrocos aos 98′ com cobrança de Brahim Diaz defendida por Mendy; arbitragem do juiz Jean-Jacques Ngambo Ndala sob críticas; presença de Gianni Infantino na final.
















