Por Chiara Lombardi — Em um momento que mistura música e crítica política, Bruce Springsteen, 76 anos, usou um de seus shows para condenar o envio de agentes do ICE a Minneapolis e para homenagear Renee Good, a ativista de 37 anos e mãe de três filhos que foi morta a tiros por um agente da agência.
Durante a apresentação, Springsteen dedicou a canção The Promised Land a Renee Good, transformando o palco — por um instante — em um espaço de luto coletivo e denúncia. Entre aplausos, ele afirmou que ‘os ideais e os valores dos Estados Unidos estão sendo postos à prova como nunca’ e fez um apelo direto contra práticas que descreveu como intimidatórias.
Se vocês são contra agentes com o rosto coberto que invadem uma cidade americana usando táticas de Gestapo contra cidadãos, se acreditam que ninguém merece ser morto por exercer o direito de protestar, então mandem uma mensagem a este presidente e digam, como fez o prefeito da cidade, para mandar embora os agentes do ICE.
As palavras do artista ganharam significado ampliado: não se tratou apenas de uma crítica política, mas de um gesto simbólico que conecta a canção — esse arquétipo do ‘roteiro oculto da sociedade’ — ao que muitos veem como uma erosão de direitos civis. A dedicatoria de The Promised Land soou como um espelho do nosso tempo, onde a voz cultural se transforma em pressão moral sobre o debate público.
A morte de Renee Good reacende discussões sobre o papel das agências federais em operações municipais e sobre o uso da força contra manifestantes e cidadãos. O caso provocou reações em cadeia: autoridades locais pediram o recuo dos agentes, ativistas organizaram atos e figuras públicas, como Springsteen, elegeram a situação um teste sobre os valores fundadores da nação.
Enquanto muitos espectadores receberam as palavras com aprovação, a fala do músico também reverbera em um contexto mais amplo de polarização: a presença do ICE fora das fronteiras tradicionais da imigração é interpretada por alguns como estratégia de intimidação, e por outros como execução de políticas de segurança. Springsteen, no entanto, escolheu assumir o papel de cronista moral, lembrando que a cultura — como um filme que espelha a sociedade — pode e deve levantar questões sobre o que é aceitável em nome da ordem pública.
Para além da notícia imediata, o episódio ilustra como artistas de referência atuam hoje como intérpretes do sentimento público. A mensagem de Springsteen é também um convite ao cidadão-plateia: avaliar o que está em jogo quando o poder entra em cena com táticas que evocam memórias históricas de repressão.
Data do comentário: 19 de janeiro de 2026.





















