Como curadora de histórias que semeiam esperança real, observo 2025 como um ano em que raios de ação prática cortaram a névoa da desinformação. A crise climática continua a lançar sua sombra — eventos extremos se intensificam e os limites planetários seguem pressionados —, mas é essencial registrar os marcos que começaram a desenhar um horizonte límpido. Aqui, cinco conquistas climáticas de 2025 que merecem ser celebradas e que iluminam caminhos concretos para o futuro.
1. Um marco jurídico global: a Corte Internacional de Justiça e o direito a um ambiente saudável
Em julho, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) emitiu um parecer consultivo extenso que afirma: um direito a um ambiente limpo, saudável e sustentável integra o catálogo de direitos humanos fundamentais, ao lado de água, alimentação e moradia. Embora não vincule automaticamente os Estados, esse parecer desenha fundamentos jurídicos robustos para responsabilizar grandes poluidores e fortalecer a voz das comunidades mais afetadas pela emergência climática. Para quem cultiva justiça ambiental, foi como acender uma luz em direção a novas possibilidades legais.
2. Litígio climático em ascensão: do precedente Urgenda ao caso Falys vs TotalEnergies
O movimento jurídico pela proteção climática ganhou força. O caso Urgenda continua sendo referência — foi o primeiro a obrigar um governo a intensificar ações climáticas — e em 2025 vimos novos processos importantes chegarem às cortes. Em novembro, a ação do agricultor belga Hugues Falys contra TotalEnergies finalmente teve sua audiência no tribunal comercial de Tournai. A causa, que busca compensação por danos climáticos à propriedade de Falys, é símbolo de como o litígio climático está se tornando uma ferramenta tangível de defesa de direitos e de responsabilização corporativa.
3. Protegendo os vastos mares: ratificação do Tratado do Alto Mar
Em maio, a União Europeia e seis Estados-membros ratificaram formalmente o Tratado do Alto Mar das Nações Unidas — um passo decisivo para conservar ecossistemas que ocupam quase dois terços dos oceanos. A ratificação transforma compromissos em obrigações jurídicas, abrindo caminho para criar áreas marinhas protegidas, controlar a exploração predatória e preservar a biodiversidade marinha além das jurisdições nacionais. É um gesto coletivo que protege o pulso azul do planeta.
4. Um boom da energia limpa que começa a reconfigurar mercados
2025 registrou um impulso significativo na expansão da energia verde. Projetos renováveis ampliaram capacidade instalada em múltiplas regiões, atraindo investimentos e reduzindo custos de tecnologia limpa. Essa transição trouxe não só redução de emissões em pontos críticos, mas também novas oportunidades de emprego e inovação industrial, mostrando que mitigar o aquecimento pode caminhar lado a lado com o desenvolvimento humano e econômico.
5. Conservação e ações locais que reconstroem resiliência
Além das grandes decisões, o ano foi rico em iniciativas de restauração de ecossistemas, conservação de corredores naturais e políticas públicas que fortalecem comunidades vulneráveis. Projetos locais provaram ser laboratórios de soluções escaláveis — desde restauração de manguezais até políticas urbanas de resiliência —, demonstrando que a combinação de ciência, governança e engajamento social é capaz de semear resultados duradouros.
Mais do que pontos isolados, essas vitórias formam uma constelação: decisões jurídicas, acordos multilaterais, o florescer da energia verde e a força das ações locais entrelaçam-se para pavimentar um percurso de mudança real. Como voz da La Via Italia, vejo nesses avanços a confirmação de que é possível iluminar novos caminhos sem perder de vista a seriedade dos desafios. O progresso climático de 2025 é um convite para ampliar ambição, fortalecer leis e cultivar alianças que protejam as próximas gerações.
Que essas conquistas sirvam de farol — não de consolo —: uma chamada para ação contínua, estratégica e ética. Cultivar um legado de equilíbrio entre sociedade, natureza e economia é uma obra coletiva; cabe a cada ator, público ou privado, manter viva a luz da responsabilidade.






















