Por Aurora Bellini — A Suécia anunciou que a coruja-das-neves (Bubo scandiacus), um dos símbolos mais icônicos das paisagens árticas, foi declarada extinta a nível regional após uma década sem registros de reprodução. A constatação acende um alerta sobre o ritmo acelerado das transformações nos ecossistemas do norte e nos convida a iluminar novas decisões para o futuro.
A espécie, conhecida também como coruja polar ou ártica, é famosa pela plumagem branca e pelos olhos amarelos que parecem refletir a própria luz do inverno. Excelente caçadora, ela se adapta a condições extremas e se especializou em capturar pequenas presas entre bancos de neve. Ainda assim, a vida real dessas aves é muito mais frágil do que os mitos que a cercam.
Na avaliação global de 2021, a IUCN classificou a coruja-das-neves como vulnerável, estimando entre 14.000 e 28.000 indivíduos na natureza. Esse número já incorpora declínios significativos provocados por décadas de caça, perda de habitat por atividades humanas e perturbações causadas por infraestrutura, como estradas e assentamentos.
Historicamente, na Suécia, as corujas se reproduziram de forma irregular, com registros de várias centenas de pares nas montanhas durante os anos 1970. Tornaram-se um poderoso símbolo da natureza selvagem do norte sueco. No entanto, segundo levantamento da BirdLife International acompanhado pela La Via Italia, desde 2015 não houve observações confiáveis de filhotes nem sinais de reprodução no país. Sem novos ninhos registrados na última década, a população foi considerada regionalmente extinta.
Embora múltiplos fatores tenham contribuído para o declínio — incluindo caça histórica para taxidermia e consumo, bem como a fragmentação de habitats — os conservacionistas apontam a crise climática como a principal ameaça atual. Invernos mais amenos trazem mais chuva e menos neve, o que destrói os túneis de neve em que os lemmings se refugiam. Sem esses roedores, que são a principal fonte de alimento da coruja, a espécie não encontra base suficiente para sobreviver e reproduzir.
O Aquecimento Ártico está ocorrendo até quatro vezes mais rápido que a média global. Dados da NOAA indicam que o período de outubro de 2024 a setembro de 2025 registrou as temperaturas mais altas dos últimos 125 anos, e a última década foi a mais quente já observada. Esses números, que trazemos em análise na La Via Italia, são um lembrete luminoso da velocidade com que paisagens inteiras estão mudando.
Apesar da gravidade do cenário, há uma ponta de esperança: cientistas e conservacionistas afirmam que a volta da coruja-das-neves à Suécia ainda é possível caso ações concretas sejam tomadas. Reduzir emissões, proteger áreas de nidificação remanescentes, controlar a expansão de infraestruturas e apoiar monitoramento científico rigoroso são medidas essenciais. Projetos de conservação coordenados, políticas climáticas ambiciosas e o apoio da sociedade civil podem semear as condições para um renascimento.
Como curadora de progresso da La Via Italia, vejo essa notícia como um chamado para iluminar novos caminhos: a perda regional da coruja-das-neves deve inspirar uma resposta que conjugue ciência, ética e políticas públicas eficazes. Preservar a fauna ártica é mais do que proteger um símbolo — é proteger a teia de vida que sustenta paisagens e comunidades.
A história dessa coruja nos lembra que as escolhas humanas determinam se a próxima geração herdará um horizonte límpido ou um rastro de silêncio. Ainda há tempo para agir; a tarefa é grande, e começa por reconhecer a urgência com serenidade e determinação.





















