Por Aurora Bellini — A lista de 2026 da organização internacional de conservação Fauna & Flora acende um alerta que não podemos mais adiar: o mundo precisa agir com urgência para proteger e restaurar as maravilhas naturais que nos sustentam. Em uma seleção que revela tanto fragilidade quanto esperança, a entidade destaca dez espécies “a serem observadas” no novo ano — criaturas muitas vezes singulares que correm risco real de desaparecer.
Como curadora de progresso da La Via Italia, vejo nesta seleção um convite para semear inovação em políticas públicas e práticas comunitárias que salvem não apenas espécies, mas paisagens e modos de vida. A diretoria da Fauna & Flora lembra que a lista oferece um retrato das “desafios-chave” que ameaçam as espécies mais vulneráveis: perda de habitat, desflorestação, comércio ilegal de fauna e a persistente crise climática.
Entre as espécies destacadas, três merecem atenção imediata por seu papel ecológico e pelo simbolismo de seu declínio:
Enguia europeia (Anguilla anguilla)
Um tempo abundante em rios e costas do continente, a enguia europeia desliza agora em direção à extinção. No Reino Unido, por exemplo, sua população caiu cerca de 95% nas últimas décadas. Pesca excessiva — alimentada inclusive pelo consumo tradicional do prato de enguia em gelatina — juntamente com poluição, fragmentação de habitat e comércio ilegal explicam o declínio. Apesar de sua forma pouco admirada, as enguias são peças-chave dos ecossistemas de água doce e costeiros, servindo como fonte energética para lontras, garças e outros predadores. Relatórios recentes registraram a presença da espécie em monitoramento na Geórgia, onde não era observada há anos, e a Fauna & Flora planeja pesquisas adicionais em 2026 para investigar e apoiar medidas de recuperação.
Gibão cao-vit
Denominado pelo seu chamado inconfundível, o gibão cao-vit é hoje o segundo primata mais raro do planeta. Redescoberto no início dos anos 2000, a população estimada gira em torno de 74 indivíduos — um número que expõe riscos extremos de perda de diversidade genética, consanguinidade e vulnerabilidade a catástrofes imprevisíveis. A agenda para 2026 inclui censos e intervenções para avaliar se os esforços de restauração de habitat e proteção comunitária estão surtindo efeito.
Aranhas “psicodélicas” dos Ghats Ocidentais
Nas florestas tropicais do sul dos Ghats Ocidentais, em Kerala, uma aranha de cores vibrantes e iridescência metálica chama a atenção não apenas pela beleza, mas pelo risco que enfrenta. A procura no comércio ilegal de animais de estimação, aliada à perda de floresta, reduz populações que já são naturalmente restritas em distribuição. Essas espécies, embora pequenas, representam horizontes límpidos de biodiversidade que iluminam o tecido mais amplo dos ecossistemas locais.
Ao olharmos para 2030 — a estrela polar de muitas metas globais sobre natureza e clima — a lista da Fauna & Flora é um mapa: um conjunto de pontos luminosos que mostram onde concentrar esforços para evitar perdas irreparáveis. Em cada caso, a solução passa por proteger habitat, combater o comércio ilegal, apoiar comunidades locais e integrar ciência com políticas públicas efetivas.
Na La Via Italia, acreditamos que este é o momento de tecer laços sociais e cultivar valores que permitam ações concretas. Proteger uma enguia, um gibão ou uma aranha é também proteger o afeto que liga comunidades às suas paisagens — é, em última análise, investir em um legado sustentável para as próximas gerações.
Observação: a lista completa da Fauna & Flora inclui outras espécies igualmente vulneráveis; nosso apelo é que governos, empresas e cidadãos atuem com urgência para transformar preocupação em recuperação.






















