Por Alessandro Vittorio Romano — O Istituto Superiore di Sanità (ISS) sinaliza cautela sobre os recém-chegados ao mercado conhecidos como braccialetti sentinella, dispositivos que prometem avisar se há droga nas bebidas. Um estudo do Centro nazionale Dipendenze e Doping do ISS, publicado como carta ao diretor na revista Clinical Chemistry and Laboratory Medicine, conclui que esses bracinhos testes ainda são pouco confiáveis e precisam de aperfeiçoamentos antes de serem adotados em larga escala.
Os pesquisadores verificaram que, embora a detecção de ketamina se mostre relativamente eficaz, a sensibilidade para outras substâncias é frequentemente insuficiente. Entre as principais fragilidades apontadas pelo estudo estão a interferência das cores naturais de algumas bebidas, a iluminação reduzida ou oscilante típica de discotecas e locais noturnos, e a ausência de um limite de detecção claramente definido.
Simona Pichini, diretora do Centro nacional Dipendenze e Doping do ISS, destaca que “os colores são um dos pontos críticos desses dispositivos”: sob luz fraca e cangiante, a transição cromática pode passar despercebida, tornando o resultado ambíguo. Segundo ela, um alerta simbólico — por exemplo, um ícone claro — seria mais inequívoco do que depender apenas de tons que mudam.
Em linguagem do cotidiano, é como tentar ler um mapa à luz de velas: quando a cidade muda suas cores e a luz dança, pequenos sinais visuais perdem a nitidez. Da mesma forma, o teste que depende só da variação de tonalidade corre o risco de falhar exatamente quando mais se busca proteção: no bar, na festa, no encontro noturno.
Os autores do estudo sugerem a necessidade de melhorias técnicas e operacionais antes que esses produtos possam ser recomendados como ferramenta de prevenção. Entre as possíveis soluções estão:
- definir e validar limiares claros de detecção;
- desenvolver indicadores visuais não ambíguos (símbolos, LEDs) que funcionem em baixa luminosidade;
- avaliar a interferência das cores e componentes de diferentes bebidas;
- realizar testes independentes e padronizados em laboratório para diversas substâncias.
Enquanto isso, insiste o ISS, confiar exclusivamente nesses braccialetti sentinella pode oferecer uma falsa sensação de segurança. É uma chamada para que fabricantes, cientistas e reguladores caminhem juntos — como agricultores que observam o clima antes de colher — e confiram robustez às ferramentas que prometem cuidar do corpo e da noite.
Como observador atento dos ritmos urbanos, vejo nessa discussão a necessidade de unir tecnologia e sensibilidade: dispositivos que protegem devem falar a nossa língua visual mesmo na penumbra da festa, e cuidar do bem-estar não pode prescindir de padrões claros. Até que haja confirmação científica e ajustes práticos, a melhor defesa continua sendo a prevenção coletiva, a atenção entre amigos e hábitos que preservem a segurança física e emocional durante os encontros.



















