Por Alessandro Vittorio Romano – PERÚGIA, 17 de janeiro de 2026.
A Região da Umbria deu um passo significativo no ritmo da inovação: a junta regional aprovou a criação do Centro Regional para a Inteligência Artificial em Saúde, um organismo técnico‑científico que terá a missão de governar a integração das tecnologias mais avançadas no serviço de saúde regional.
Como a respiração lenta de um vale que se prepara para a próxima estação, a chegada deste centro representa a intenção de harmonizar tecnologia e cuidado humano. A presidente da região, Stefania Proietti, salientou que a inteligência artificial é hoje «um dos fatores inovadores mais potentes para o futuro do conhecimento». Segundo Proietti, graças à capacidade de analisar grandes volumes de dados eletrônicos em tempos reduzidos, a IA apoiará médicos e pacientes na identificação de diagnósticos mais precisos e na definição de novos percursos de cuidado.
“É um passo estratégico para tornar a assistência mais eficaz, acessível e economicamente sustentável — garantindo, ao mesmo tempo, que tudo ocorra de maneira ética, segura e transparente”, afirmou a presidente.
O novo centro não será uma mera caixa de avaliação tecnológica: ele deverá agir como um verdadeiro regista da inovação. Inspirado por um ciclo natural onde cada estação prepara a próxima, foram definidos quatro pilares fundamentais que orientarão suas atividades:
- Validação e HTA (Health Technology Assessment) — avaliação rigorosa das soluções digitais e algorítmicas para aferir eficácia clínica, custo‑benefício e impacto no cuidado.
- Governança de dados e interoperabilidade — regras, padrões e garantias para que os fluxos de informação sejam seguros, éticos e compatíveis entre os sistemas de saúde.
- Projetos‑piloto e governança da inovação — experimentações regionais que permitam testar modelos assistenciais apoiados por IA em ambiente real, com monitoramento e revisão contínua.
- Formação, divulgação e cultura ética — capacitação de profissionais de saúde e informação aos cidadãos para promover uso responsável e compreensível das tecnologias.
Esses pilares foram desenhados para que a tecnologia floresça sem sobrepor o laço humano que sustenta o cuidado: pensar a saúde como terreno fértil onde dados e empatia crescem em conjunto.
Do ponto de vista prático, o Centro atuará como referência técnica para as estruturas regionali, oferecendo linee guida, protocolli di valutazione e supporto nella definizione di bandi e progetti. A intenção é também criar pontes com universidades, centri di ricerca e parceiros nacionais e europeus, cultivando um ecossistema que una inovação e responsabilidade.
Para os profissionais e para a população da Umbria, a iniciativa abre a possibilidade de percursos de cura mais personalizados e gestão assistencial mais sustentável. Para além da eficiência, o objetivo declarado é manter a confiança pública, priorizando transparência e proteção dos direitos dos pacientes.
Enquanto observador do cotidiano e dos ritmos que vinculam ambiente e bem‑estar, vejo nesta iniciativa a promessa de uma nova estação: a tecnologia que chega como uma chuva fina, destinada a nutrir as raízes do sistema de saúde, sem apagar aquela luz humana que orienta cada diagnóstico e cada gesto de cuidado.
Em suma, a Umbria aposta em ser um laboratório regional onde a inteligência artificial é aplicada com critério, ética e sentido comunitário — uma colheita de práticas que esperamos ver frutificar nos próximos anos.






















