Domingo, 18 de janeiro, a televisão italiana oferece um retrato em prime time de uma das vozes que moldaram o século XX musicalmente e emocionalmente: Ornella Vanoni. Vai ao ar no NOVE o especial de Che Tempo Che Fa intitulado Ornella Senza Fine, que promete ser mais do que uma homenagem — é um espelho do nosso tempo em forma de canção e memória.
O programa reúne um elenco de convidados que é, por si só, um roteiro afetivo da música contemporânea: Mahmood, Elisa, Giuliano Sangiorgi, Noemi, Diodato, Emma, Francesco Gabbani, Fiorella Mannoia, Annalisa e Gianni Morandi. Cada presença funciona como uma citação — momentos de ressonância que reescrevem, em voz coletiva, a trajetória de uma artista que transformou canções como Senza fine e L’appuntamento em pontos de referência afetiva.
O especial promete desvendar oito segredos da vida de Ornella Vanoni. Entre os elementos já anunciados estão lembranças íntimas e escolhas que ajudam a compor o mosaico público-privado da cantora: o sonho juvenil de fazer carreira como esteticista, relações marcantes com figuras como Giorgio Strehler e o cantor Gino Paoli, e o casamento com Lucio Ardenzi. Esses episódios não são meras curiosidades; são janelas para entender como a experiência pessoal moldou sua arte, um verdadeiro reframe da realidade em notas e palavras.
Há também momentos mais leves e inesperados: uma das clipes que circula mostra a artista tentando beijar repetidamente Susana Giménez, enquanto a apresentadora tenta contê-la — um instante que revela tanto a ousadia performática de Vanoni quanto seu humor subversivo. Pequenos gestos que, num close, se transformam em símbolo — a semiótica do viral aplicada à figura de uma estrela que nunca deixou de provocar simpatia e surpresa.
Como observadora do zeitgeist, não posso deixar de notar que programas assim fazem mais do que comemorar: funcionam como arquivos afetivos e políticas de memória cultural. Ouvir as canções de Ornella Vanoni hoje é se deparar com um roteiro oculto da sociedade — mudanças de gosto, identidades em trânsito, o afeto como território público. E é nesse terreno que o especial da NOVE parece querer atuar: não apenas reviver hits, mas mapear como uma voz singular ecoa e influencia gerações.
Se você busca uma noite que combine música, confissões e interpretações contemporâneas, Ornella Senza Fine é uma promessa de elegância e reflexão. Sintonize no NOVE e acompanhe as conversas e performances que reconstroem, em tom íntimo e cinematográfico, a trajetória de uma das artistas mais emblemáticas do cenário italiano.






















