Por Aurora Bellini, La Via Italia — À sombra das falésias e sob o horizonte límpido do Arquipélago das **Eólias**, reabre-se uma etapa crucial do projeto que busca conciliar **bem-estar animal**, preservação ambiental e segurança das comunidades locais. Foi formalizado um novo **afastamento** para a captura e o **transporte** das **cabras selvagens**, uma ação que terá continuidade ao longo de 2026 e com previsão de prosseguir até 2027, incluindo intervenções em Alicudi, Stromboli e uma iniciativa em Vulcano.
O dirigente regional Giovanni Dell’Acqua, do Serviço para o Território de Messina do Departamento de Desenvolvimento Rural e Territorial, reafirmou a linha de trabalho que guia a iniciativa: “Nenhum animal será abatido e o **bem-estar animal** será rigorosamente garantido”. Em outras palavras, a intervenção busca iluminar novos caminhos entre a tutela do patrimônio natural e a segurança das populações humanas, sem sacrificar vidas.
O problema ganhou visibilidade internacional e foi acompanhado por diversos veículos — e também pela La Via Italia — enquanto as imagens das ilhas desafiam a ideia de equilíbrio entre natureza e habitação. Em Alicudi, estima-se que as **cabras selvagens** tenham ultrapassado a marca de 600 indivíduos, numa ilha com cerca de 100 habitantes. Em Ginostra, na ilha de Stromboli, o número chegou a cerca de 2.000 animais, contra apenas 40 residentes humanos.
Ao longo dos anos, a convivência histórica entre moradores e animais foi posta à prova: o crescimento exponencial das populações de cabras levou-as a descer das vertentes superiores até o centro habitado, entrando em casas e colocando pais em alerta quanto à segurança das crianças. Também ocorreram episódios de animais encontrados mortos em Ginostra, suscitando preocupações sanitárias. Agricultores locais denunciaram a destruição de hortas, vegetação nativa e danos aos tradicionais muros de pedra seca, elementos que compõem o tecido cultural reconhecido pela UNESCO.
Desde o início, as autoridades locais e a Região Siciliana descartaram a opção do abate. Foi lançada uma campanha de adoção das cabras, que teve repercussão viral nas redes e nas mídias internacionais, e em setembro de 2025 os agentes florestais iniciaram operações de captura, levando muitos animais para uma instalação de criação no Messinese.
Na nova fase, Dell’Acqua concluiu a instrução relativa à manifestação de interesse para as operações de captura e transferência. Duas empresas zootécnicas se apresentaram, mas apenas uma atendeu aos requisitos legais exigidos — a Montecristo Farm — que recebeu o encargo para conduzir esta etapa do programa.
É importante destacar que a estratégia adotada combina medidas práticas com um olhar de longo prazo: políticas de captura não letal, realojamento em estruturas adequadas, monitoramento sanitário e iniciativas de educação ambiental para semear inovação comunitária. Assim, busca-se proteger a integridade dos ecossistemas insulares e, ao mesmo tempo, preservar o modo de vida das comunidades eolianas.
Como curadora de progresso, vejo nessa iniciativa uma tentativa lúcida de tecer laços entre conservação e desenvolvimento humano: iluminar soluções que respeitam tanto o animal quanto o patrimônio material e imaterial das ilhas. A nova fase do projeto é um convite para cultivar valores — responsabilidade ambiental, ciência aplicada e solidariedade — que possam florescer num horizonte límpido para as Eólias.
Seguirá acompanhamento técnico e transparência nas operações, com relatórios periódicos sobre o número de animais capturados, destinos e condições de bem-estar durante o transporte e a recepção. A La Via Italia continuará a acompanhar e a divulgar cada passo desta história, que é ao mesmo tempo sobre natureza, comunidade e a construção de um legado sustentável.






















