Por Riccardo Neri — A missão Artemis 2 marca o retorno do ser humano ao espaço além da órbita terrestre baixa, iniciando uma nova camada da exploração lunar que, embora não preveja um pouso, representa um marco operacional e tecnológico. Em termos de infraestrutura, o voo funcionará como um ensaio geral do sistema nervoso das futuras missões: validar suporte de vida, navegação e comunicações é tão crítico quanto testar os alicerces digitais que sustentarão operações mais complexas.
A NASA começou a movimentação logística rumo ao lançamento. No dia 17 de janeiro está previsto o deslocamento do conjunto formado pelo foguete SLS (Space Launch System) e pela cápsula Orion até a rampa 39B, no Kennedy Space Center, na Flórida. A primeira janela de decolagem aberta ao público foi apontada para a partir de 6 de fevereiro, mas a data final depende dos testes remanescentes e da validação de segurança — prioridade reiterada pela direção da agência.
O translado do veículo de lançamento é uma etapa de infraestrutura crítica: o sistema será erguido e deslocado cerca de 6,4 quilômetros do Vehicle Assembly Building até a plataforma, usando o Crawler-Transporter 2, um transportador concebido para cargas excepcionais. A operação pode durar até 12 horas e dará início a uma sequência intensa de verificações finais.
Entre os testes programados, destaca-se a chamada prova geral molhada — versão em solo do reabastecimento criogênico — na qual serão carregados aproximadamente 2,65 milhões de litros de propelente criogênico nos tanques do lançador. O exercício simula condições muito próximas às do lançamento real, incluindo a sequência completa de contagem regressiva e, em etapas determinadas, a presença da tripulação a bordo da Orion para testar os fluxos de procedimento e as interfaces humanas com os sistemas automatizados.
A missão terá duração prevista em torno de dez dias. O crew reúne os astronautas Reid Wiseman e Victor Glover (NASA), Christina Koch (NASA) e o canadense Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense). A trajetória inclui um sobrevoo lunar com entrada em órbita lunar e retorno à Terra — objetivo: certificar conjuntos de sistemas antes das próximas fases que contemplarão a tentativa de pouso.
Orbitais e janelas de lançamento são fatores que limitam a flexibilidade da operação. A trajetória foi otimizada para reduzir consumo de combustível tanto na ida quanto na volta, comprimindo as oportunidades para lançamentos em faixas temporais muito específicas. Em linguagem de engenharia, trata-se de alinhar canais e rotas do fluxo de dados e energia entre Terra, veículo e tripulação, minimizando perdas e maximizando margem de segurança.
Do ponto de vista europeu e italiano, o significado é duplo: por um lado, reabre-se um corredor operacional que integra novas tecnologias e lições aprendidas nas últimas décadas; por outro, reafirma-se a importância das cooperações internacionais em ciência, engenharia e fornecimento de infraestrutura espacial. A Artemis 2 não é só um voo; é um teste de compatibilidade entre camadas de inteligência, humanos e máquinas, e o preparo para que, em próximas etapas, possamos pisar novamente no solo lunar com confiança técnica.


















