Ciao, viajante curioso — sou Erica Santini, sua amiga ítalo-brasileira apaixonada pelas histórias que cada rota guarda. Para o verão de 2026, as tendências de viagens de luxo apontam não para agitação, mas para silêncio de qualidade: céus intactos, natureza rara e um tempo que desacelera. As previsões, reunidas pelo Global Wellness Institute e debatidas no festival de turismo de luxo de Cannes, traçam um mapa para quem não busca presença, mas presença profunda.
Entre as novas vontades dos viajantes mais exigentes, a observação de estrelas surge como um luxo íntimo. Há quem escolha tours com telescópios profissionais e sessões privadas para contemplar a Via Láctea em lugares onde o escuro é quase sagrado — penso no Atacama (Chile), na reserva NamibRand (Namíbia), em Aoraki Mackenzie (Nova Zelândia) e na ilha de La Palma (Espanha). Tom Marchant, cofundador do operador de luxo Black Tomato, descreve esses céus como “antigos e incontaminados”, verdadeiros salões de contemplação celeste.
Mas o luxo de 2026 também tem textura humana: é sobre viagem lenta. Em vez de itinerários frenéticos, ganha quem escolhe trens lentos, desenha paisagens no seu caderno, compila um diário e pratica o Dolce Far Niente de alma. Atividades como a pesca à mosca — considerada a mais meditativa — aparecem como rituais que convidam à presença, à respiração longa e ao reconhecimento do instante.
Preferem-se, ainda, imersões na natureza pura: mergulhos em águas cristalinas, trilhas por territórios quase intocados e o ouvir atento de sinos e ritos locais que, como partituras, contam a história de um lugar. Entre as preferências regionais, o estudo destaca uma virada: as Dolomitas ganham protagonismo perante as costas mediterrâneas muito quentes e abarrotadas. Aqui, a luz tem outra qualidade — dourada, cortada por picos esculpidos — e o ar é uma promessa de calma.
Na Itália, surge uma entrada surpreendente no mapa dos devotos da natureza: o Abruzzo. Região ainda com áreas selvagens e pouco exploradas, o Abruzzo oferece simetrias de silêncio, parques nacionais onde o tempo parece ter outra espessura e aldeias que guardam segredos para ser saboreados devagar.
Andiamo, então: o luxo em 2026 é menos sobre ostentação e mais sobre autenticidade sensorial. É tomar um café olhando para montanhas que respiram história, é ouvir o ruído fino das estrelas, é saborear a textura do tempo nas paredes de uma vila. Para quem já viu tudo, o convite é simples e profundo — viajar para se reencontrar.
Fontes: Global Wellness Institute; Festival do Turismo de Luxo de Cannes; entrevista com Tom Marchant (Black Tomato).





















