Ciao, viajante dos sentidos — sou Erica Santini e convido você a passear comigo por um fim de semana cultural em Milão, onde a arte respira entre palazzos e ledwalls, e as histórias se saboreiam como um bom vinho italiano. Entre as mostras que abrem as portas esta semana, destaque para a instalação de Deborah Hirsch e um painel histórico que celebra 90 anos da fotografia italiana.
No térreo de Palazzo Citterio, um grande ledwall abriga Vanishing Trees, a instalação site-specific de Deborah Hirsch, com curadoria de Clelia Patella. Em cartaz de 15 de janeiro a 15 de abril, a obra entrelaça arte digital, ciência e memória: tecnologias generativas reinterpretam imagens de três árvores em risco de extinção — Ginkgo biloba, Pterocarya fraxinifolia e Torreya taxifolia —, todas conservadas pelo Orto Botanico di Brera. O resultado é uma presença viva na qual luz, som e movimento convidam o espectador a reconhecer o valor da resistência e da lembrança. Imagine sentir o perfume — metafórico — das folhas antigas, a textura do tempo nas cascas projetadas, um encontro onde o olhar se transforma em testemunha.
Também em Milão, o segundo capítulo do projeto I tempi dello sguardo. 90 anni di fotografia italiana in due atti, apresentado por The Pool Nyc, abre suas portas em Palazzo Fagnani Ronzoni entre 16 de janeiro e 28 de fevereiro. São 28 mestres, italianos e internacionais, reunidos em um percurso de 80 obras que traça a história da fotografia: do Futurismo à grande época do Neorrealismo, das pesquisas conceituais às experiências que definiram narrativas visuais no século XX. Nomes como Giacomelli, De Biasi, Di Bosso e Biasiucci dialogam com vultos internacionais — Herwitt, Horst, Klein —, oferecendo um mosaico sensorial em preto e branco e cor, onde cada imagem é um convite a navegar pelas memórias coletivas e pessoais.
Entre os protagonistas da semana também figura Luigi Voltolina, cuja presença sinaliza a riqueza de um calendário expositivo que privilegia tanto a inovação tecnológica quanto o legado dos mestres. É um roteiro que mistura o palpável e o etéreo: instalações que respiram e fotografias que contam histórias como cartas encontradas no bolso de um paletó antigo.
Se você estiver em Milão, recomendo organizar sua visita com calma — um passeio que permita o dolce far niente entre galerias, talvez com uma parada para um espresso que acalme o pulso antes do próximo encontro com a arte. Essas exposições são janelas para a memória e a contemporaneidade, oportunidades de saborear a história e sentir a luz dourada que cobre os objetos e as imagens.
Andiamo: reserve tempo, deixe-se envolver e permita que cada obra seja uma pequena viagem. Para quem não pode ir imediatamente, a sugestão é acompanhar os perfis institucionais e as páginas das galerias, onde muitas vezes são disponibilizados conteúdos digitais que ampliam a experiência.
Buona visita — e lembre-se: a arte é sempre um passe livre para redescobrir o mundo com outros sentidos.



















