Ciao — sou Erica Santini e trago uma notícia que mistura justiça social e o perfume agridoce das cidades em transformação. O governo espanhol deu um passo firme contra os **arrendamentos de curta duração** que pressionam o mercado residencial: aplicou uma **multa** de **65 milhões de euros** à **Airbnb** por continuar a publicitar alojamentos proibidos ou sem licenças válidas.
Segundo o Ministério do Consumo, a coima é definitiva e veio acompanhada da ordem de remoção imediata dos anúncios ilegais. As autoridades identificaram que **65.122 anúncios** na plataforma violavam as regras espanholas de proteção do consumidor — muitos imóveis não tinham licença ou apresentavam números que não batiam com os registos oficiais.
A sanção representa cerca de seis vezes os lucros obtidos pela Airbnb no período entre o aviso das autoridades e a efetiva retirada dos anúncios, uma penalização pensada para desincentivar práticas que mantêm no mercado oferta turística em detrimento de moradias para residentes. Numa altura em que a **crise habitacional** aperta e os bairros mudam de rosto ao sabor do turismo, esta medida ecoa como um chamado por equilíbrio.
O ministério sublinha que plataformas como a Airbnb devem verificar se os imóveis anunciados cumprem a normativa local e regional — incluindo a utilização de números de licença válidos —, sob pena de prolongarem artificialmente a presença de alojamentos turísticos e reduzirem a oferta de habitação de longa duração.
O ministro dos Direitos dos Consumidores, Pablo Bustinduy, afirmou que há “milhares de famílias a viver no limite” devido à crise habitacional, enquanto alguns modelos de negócio lucram com práticas que acabam por «expulsar pessoas das suas casas». A acusação tem um tom de urgência: proteger residentes e restaurar a dignidade urbana.
A ofensiva do governo espanhol não se limitou à Airbnb. Em junho, as autoridades também ordenaram à Booking.com a retirada de mais de 4.000 anúncios ilegais. E, em toda a Espanha, foram removidos dos registos oficiais mais de 53.000 apartamentos turísticos irregulares — com maior incidência na Andaluzia, nas Ilhas Canárias, na Catalunha e na Comunidade Valenciana.
Barcelona emerge como o epicentro desta batalha: a cidade anunciou planos para eliminar gradualmente os apartamentos turísticos até 2028, uma medida que na prática dificulta a operação de alojamentos privados em prédios residenciais por plataformas como a Airbnb. Autoridades municipais afirmam que os arrendamentos de curta duração esvaziaram bairros, expulsaram residentes e redesenharam zonas inteiras em função do turismo, gerando protestos e mobilizações locais.
Para quem ama viajar com sensibilidade — e para os que amam morar — trata-se de um momento de virada. Andiamo: enquanto os corredores das cidades se redesenham, há um convite para repensar o equilíbrio entre o apelo turístico e o direito à cidade. Sinta a luz dourada de uma manhã em Barcelona, ouça o mercado acordando, e perceba: preservar o lar é também preservar a alma das comunidades.
Nota: os números e decisões referidas foram divulgados pelo Ministério do Consumo espanhol e refletem as ações anunciadas pelas autoridades competentes.






















