Ciao, viajante curioso — aqui é Erica Santini da La Via Italia, trazendo um olhar sensorial sobre uma mudança que cheira a pinho e a sal marinho: as viagens de Natal estão em alta. Com o Natal a aproximar-se, muitos decoram as casas com luzes e lembram sabores de infância. Porém, uma fatia crescente dos europeus decide reinventar este período, trocando a sala da avó por destinos que oferecem desde mercados históricos até praias de inverno.
Há razões muito humanas para isso: uns querem criar novas memórias e tradições; outros procuram escapar do stress, do caos e dos custos de organizar o Natal em casa. Muitos preferem evitar os invernos rigorosos e as contas de energia que disparam, optando por um Natal sob o sol — ou por um retiro alpino, com a textura do tempo nas paredes de chalés cobertos de neve.
Segundo a Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido, dezembro de 2025 poderá ser o “período de viagens de Natal mais movimentado de sempre” — um sinal claro de que a vontade de explorar o mundo durante as festas não é apenas passageira.
Entre os destinos procurados, há os clássicos dos esquis — St. Moritz, Zermatt e Lech — que atraem quem deseja a confiabilidade da neve e o charme dos chalés. As cidades com mercados natalinos, como Viena, Praga e Estrasburgo, continuam a encantar com luzes, sabores e artesanato. E para quem busca calor e economia, a lista inclui Madeira, Chipre, sul de Itália e as Ilhas Canárias, onde é possível saborear o Dolce Far Niente ao sol de inverno.
O fenómeno das celebrações pouco convencionais também está a ganhar terreno. A empresa de vales Virgin Experience Days detecta um aumento nas opções alternativas: desde o Friendmas (um Natal entre amigos), a celebrar noutra data, até a simplesmente viajar no dia de Natal. E quem está a liderar essa mudança? A Geração Z — um inquérito da Virgin revela que 25% dos jovens entre os 18 e os 24 anos preferem viajar no dia de Natal, em busca de criar as suas próprias tradições.
Mohsan Lin, designer gráfico de 28 anos natural de Hong Kong, partilhou ao inquérito a sua forma de reinventar o período natalício: “Celebro o Natal da mesma forma há 18 anos, mas desde que me mudei para o Reino Unido, longe da família, posso reinventar este período como quiser”. Mohsan conta memórias sensoriais — um churrasco coreano em Southampton em vez do peru, o mergulho do Boxing Day em Newcastle, semanas a treinar hóquei no gelo na Finlândia — e explica que este ano vai passar o Natal na Noruega, entre jantares nórdicos, snowboard, skate e os intrigantes barcos-sauna.
O resultado? Uma mistura de saudade e descoberta, um Natal que se saboreia de formas inesperadas: festas em novas geografias, tradições reinventadas, ou simplesmente a procura por silêncio e calor humano longe do corre-corre habitual. Para famílias com crianças pequenas ou anfitriões de primeira viagem, o desejo de fugir ao stress e ao custo do Natal tradicional é especialmente forte.
Será que o Natal voltará a ser o mesmo? Talvez não — e talvez não precise de voltar. As mudanças revelam uma celebração plural, onde o essencial permanece: o encontro, a partilha e a sensação de pertença, seja numa praça iluminada de Viena ou numa varanda ensolarada na Sicília. Andiamo: seja qual for o seu destino, permita-se saborear a história, a luz e o perfume de cada lugar.
Por Erica Santini — La Via Italia. Um convite à hospitalidade sofisticada e à descoberta dos segredos locais.




















