Ciao, queridos leitores — sou Erica Santini, e trago-vos uma história alpina que mistura economia dura com a poesia da neve. Nos Alpes franceses, numa pequena aldeia de Savoie, uma decisão inesperada transformou a tradição do inverno: a estância de Saint-Colomban-des-Villards decidiu oferecer esqui gratuito durante toda a temporada. Sim, leram bem — pistas abertas sem venda de passes. Mas por trás do encanto há motivos muito sérios.
A 1 100 metros de altitude, esta comunidade montanhosa sempre viveu ao ritmo das estações, com o perfume dos chalés e o som distante dos teleféricos. Hoje, no entanto, a realidade económica fala mais alto. O município anunciou que, por necessidade e não por opção, não irá vender passes de teleférico neste inverno: uma medida paradoxal cuja intenção é, precisamente, poupar dinheiro.
Segundo o presidente da câmara, Pierre-Yves Bonnivard, a estância é deficitária há cerca de 25 anos. O rombo estimado inicialmente entre 400 e 600 mil euros por ano aumentou nas últimas temporadas, muito por causa de uma neve cada vez menos fiável. Em 2025, o défice operacional atingiu 1 milhão de euros — um peso insustentável para uma autarquia cujo orçamento anual global é de apenas 2,7 milhões de euros. “Cerca de 40% do orçamento da cidade estava a ser utilizado para cobrir uma atividade deficitária”, diz Bonnivard, e a legislação francesa não permite que isso continue indefinidamente.
O encerramento da ligação com Les Sybelles — a quarta maior estância de França, com a qual Saint-Colomban-des-Villards estava ligada desde 2003 — agravou ainda mais a situação. Sem essa interligação, os fluxos de visitantes reduziram-se e as receitas evaporaram. Investigações e negociações com operadores de teleféricos e empresas externas não chegaram a um modelo económico viável.
Então, por que oferecer esqui gratuito? A resposta administrativa é prática: vender passes implicaria reabrir bilheteiras, contratar pessoal e gerir um sistema de bilhética, despesas estimadas entre 36 000 e 41 000 euros apenas para a época. As receitas previstas, sobretudo das pistas para principiantes, seriam insuficientes para cobrir esses custos. Em vez de um encerramento total — que seria demasiado brutal para as empresas locais —, o município optou por reduzir drasticamente a área de esqui e manter uma secção limitada em funcionamento, sem venda de bilhetes. Uma solução de compromisso para manter a atividade viva.
Para quem ama as montanhas, há uma ambivalência de sentimentos: por um lado, o prazer de ver pistas abertas e o convite ao Dolce Far Niente esquiando sem bilhete; por outro, a melancolia de testemunhar as consequências da mudança climática e de decisões económicas difíceis. Ao caminhar pela aldeia, imagino o contraste entre a luz dourada sobre as encostas e as reuniões tensas da câmara: são as texturas do tempo e da gestão pública a mostrar-se.
O caso de Saint-Colomban-des-Villards é um lembrete sensorial de que o turismo de neve já não é uma dádiva garantida. As comunidades alpinas precisam de modelos sustentáveis e criativos para sobreviver — e às vezes, como neste caso, a solução mais inesperada é também a mais humana: abrir as portas, reduzir custos e manter a aldeia viva, mesmo que de forma diferente.
Se planeias visitar, leva contigo curiosidade e respeito: saborear a história destas encostas implica apoiar os negócios locais, provar um vin chaud num bistrô, ouvir as histórias de quem conhece cada trilha. Andiamo — que a montanha nos ensine a cuidar melhor do que amamos.






















