Ciao, viajante — sou Erica Santini, sua amiga ítalo-brasileira apaixonada pelas estradas e aeroportos que guardam histórias. Em 2025 a Ryanair viveu um ano de contrastes: ao mesmo tempo que anunciou uma forte expansão do seu horário de inverno — com foco no Reino Unido, Finlândia e Itália — e novas ligações, a companhia também começou a redesenhar o mapa de voos para 2026, com cortes que vão redesenhar rotas e afetar quem ama descobrir cidades pequenas e ilhas escondidas.
No lado positivo, a transportadora de baixo custo revelou novas rotas, como a de Londres para Múrcia e de Rovaniemi para o Reino Unido, e falou sobre investimento em bases como Bolonha. Mas nem tudo são brindes de Prosecco: problemas como os atrasos da Boeing e a polémica decisão de eliminar gradualmente os cartões de embarque em papel deixaram marcas — com o CEO Michael O’Leary a criticar publicamente a gestão da fabricante.
O anúncio mais sentido pelos passageiros, porém, foi a decisão de cancelar diversas rotas em 2026. Estima-se que a medida possa remover cerca de três milhões de lugares no total, reduzindo ligações e conveniência, sobretudo para cidades menores e ilhas como os Açores e destinos em Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Portugal, entre outros.
Em outubro de 2025 a Ryanair revelou cortes de 24 rotas com origem ou destino na Alemanha, que correspondem a quase 800.000 lugares a menos no horário de inverno 2025/2026. Foram afetados nove aeroportos: Hamburgo, Berlim, Colónia, Memmingen, Frankfurt-Hahn, Dresden, Dortmund e Leipzig. As operações em Leipzig, Dresden e Dortmund permanecerão suspensas em 2026, para além do período de inverno.
A companhia justifica os cortes com custos operacionais crescentes: taxas elevadas de controlo de tráfego aéreo (ATC) e de segurança, além de impostos sobre a aviação aplicados na Alemanha. Em comunicado, a Ryanair contrapôs estes encargos a políticas mais favoráveis noutros países — como Irlanda, Espanha e Polónia, que não têm impostos sobre aviação — e citou exemplos de Suécia, Hungria e regiões de Itália onde se aboliram taxas para estimular tráfego, turismo e emprego.
“Os custos de acesso astronómicos da Alemanha” foram apontados pela transportadora como fatores que tornam o mercado alemão menos competitivo e longe de recuperar totalmente os níveis pré-Covid — operando, segundo a empresa, apenas a 88% desses níveis. A advertência é clara: a Ryanair prevê deslocar capacidade para países com custos mais baixos e não descarta novas reduções se a situação não mudar.
Do ponto de vista do viajante, isso significa reorganizar planos, explorar alternativas — trens, ferries ou outras companhias — e ficar atento às rotas que desaparecem do mapa. Como numa boa guia local, eu diria: aproveite para redescobrir rotas secundárias, aprender o ritmo do Dolce Far Niente e, quem sabe, transformar um corte de rota numa nova história para saborear.
Se o governo alemão responder às críticas sobre taxas e custos de acesso, a companhia admite rever algumas decisões. Até lá, permanecemos atentos: o céu europeu está a mudar de cor, e cada anúncio pode afetar a tua próxima viagem.
Principais destinos e aeroportos afetados (resumo):
- Alemanha: cortes em 24 rotas (~800.000 lugares) — Hamburgo, Berlim, Colónia, Memmingen, Frankfurt-Hahn, Dresden, Dortmund, Leipzig.
- Países com reduções anunciadas: Espanha, França, Bélgica, Portugal e outros mercados secundários.
- Estimativa total de lugares retirados: cerca de 3 milhões.





















