Ciao, amici — sou Erica Santini e hoje convido você a olhar Florença com olhos de quem ama o detalhe: o perfume do travertino, a luz dourada sobre o Arno, e também os desafios que essa beleza atrai. O tema é urgente e sensorial: o overtourism — ou, como preferimos chamar em contexto florentino, turismo desequilibrado — que transforma praças e ruelas num cenário superlotado, afetando tanto quem vive quanto quem visita.
No BTO 2025 em Florença, especialistas, administradores e operadores debateram soluções práticas para restaurar o equilíbrio entre a qualidade de vida dos cidadãos e a qualidade da experiência dos turistas. Mirko Lalli, expert em big data e CEO da Data Appeal, sintetiza o problema com clareza: “Quando se rompe o equilíbrio entre a qualidade da vida dos cidadãos e a qualidade da experiência dos viajantes, fala-se de destino afogado pelo excesso”. Para ele, o fenômeno é também uma transformação do lugar em “medida do turista”, com perda de autenticidade e fechamento dos comércios locais.
Mas atenção: há outra leitura possível. Lalli lembra que o turismo só se torna crítico quando não é bem gerido — e aí reside a oportunidade. O que chamamos de efeito Instagram tem papel negativo na aceleração desses fluxos, expondo lugares frágeis a ondas de visitantes que chegam quase por impulso. A conclusão? Não existe overtourism em abstrato, existem destinos incapazes de gerir o que o turismo lhes oferece.
Em Florença, fala-se menos em overtourism e mais em unbalanced tourism: concentrações intensas em áreas e horários específicos que impedem uma fruição equilibrada da cidade. A estatística nacional assusta: cerca de 70% dos turistas estrangeiros se concentram em apenas 1% do território do País. Parece até um mapa de sabores onde só se come em um único restaurante enquanto a trattoria da esquina fica vazia.
Como reescrever esse roteiro? As iniciativas-piloto da cidade usam ferramentas digitais para monitorar fluxos em tempo real e, com inteligência, conversar com quem visita — sugerindo rotas alternativas, horários diferentes e experiências menos óbvias. É uma hospitalidade sofisticada: não se trata de deter o desejo de vir, mas de redirecioná-lo, valorizando o Dolce Far Niente das pequenas praças e dos bairros ainda intactos.
Conversamos também com Jacopo Vicini, assessor de Turismo de Florença, que expôs essas estratégias de diálogo direto com o visitante. São sugestões que parecem pequenas — um desvio por uma rua com artesãos, uma visita noturna menos concorrida — mas que, somadas, desenham uma nova paisagem urbana onde o visitante aprende a saborear a história sem esvaziar a cidade de sua alma.
Ao final, a mensagem é clara e terna: o turismo bem gerido é poesia aplicada. Andiamo com sensibilidade — preservando tradições, redistribuindo presenças e celebrando tanto o visitante quanto quem chama Florença de casa. Se queremos que a cidade continue a inspirar, precisamos cuidar dela como cuidamos de um bom vinho: com tempo, atenção e respeito.





















