Por Marco Severini — Em pronunciamento à imprensa na Embaixada da Itália em Tóquio, a Presidente do Conselho, Giorgia Meloni, traçou um quadro sóbrio sobre prioridades diplomáticas que exigem, segundo ela, movimentos calculados no tabuleiro internacional.
«Penso que devemos trabalhar por uma desescalada» no Irã, afirmou Meloni, lembrando o contacto recente com o sultão de Omã, que «teve um papel muito importante conosco nas negociações». A primeira-ministra reiterou a posição de Roma de condenar a repressão e as mortes resultantes das manifestações internas no país e pediu garantias de segurança para os cidadãos que protestam pacificamente.
Meloni ressaltou que a Itália promove esforços para retomar negociações, com atenção particular ao que definiu como o «dossiê nuclear»: «Estamos trabalhando para voltar a negociações que possam resolver, sobretudo, a questão do dossier nuclear». A mensagem é clara: reduzir tensões e reinstituir canais diplomáticos como alicerces frágeis, porém necessários, da estabilidade regional.
Sobre a Groenlândia, a chefe do governo delineou um princípio de responsabilidade coletiva: a discussão sobre o reforço da segurança e da presença de aliados «é um tema sério que está no âmbito do diálogo dentro da OTAN». «A Groenlândia deve ser considerada território de responsabilidade da Aliança Atlântica», disse, sublinhando que o pedido americano é relevante e que o debate sobre um maior posicionamento aliado deve ocorrer no foro apropriado da Aliança, incluindo reflexões sobre a eventual presença italiana.
No terreno do conflito israelo-palestino, Meloni comentou sobre o chamado «board» para Gaza: «Ainda aguardamos decisões definitivas. Foi apresentado há poucos minutos um board de nível executivo, mais operacional; falta, entretanto, o componente político, e por isso devemos esperar a oficialização». A Itália, reforçou, tem demonstrado disponibilidade para desempenhar um papel de primeiro plano na elaboração do plano de paz para o Médio Oriente, vendo ali «uma ocasião única» num cenário complexo e frágil.
Quanto ao Fórum Económico Mundial em Davos, a primeira-ministra afirmou que sua presença não está prevista no momento, embora não a descarte caso surjam cimeiras relevantes sobre a Ucrânia ou Gaza: «Se houver reuniões de alto nível sobre esses temas, participaremos».
Por fim, ao responder sobre a eventual renúncia do Colégio do Garante da Privacidade, Meloni declarou não dispor de elementos sobre a investigação e disse confiar na magistratura: «Sull’inchiesta non ho elementi, mi rimetto alla magistratura della quale mi fido».
No conjunto, a intervenção de Meloni pode ser lida como um movimento cauteloso e estratégico: buscar a desescalada no Irã, afirmar a competência coletiva da OTAN na Groenlândia e posicionar a Itália como parceiro pronto a contribuir para um plano de paz em Gaza compõe um alinhamento que privilegia negociação, coordenação atlântica e pragmatismo diplomático — um passo por vez no tabuleiro onde se redesenham fronteiras invisíveis de influência.






















