A AIEA obteve um acordo entre a Federação Russa e a Ucrânia para um cessar-fogo localizado que permita iniciar reparos na última linha elétrica de reserva da centrale nucleare de Zaporizhzhia, confirmou o diretor-geral Rafael Mariano Grossi. A medida visa mitigar o risco crescente à segurança nuclear decorrente do dano às infra‑estruturas elétricas causado por ações militares.
Segundo a agência, técnicos do operador ucraniano de rede começarão nos próximos dias os trabalhos de reparo na linha de 330 kV, que foi danificada e interrompida após incursões militares em 2 de janeiro. A desconexão deixou a maior central nuclear da Europa dependente de sua única linha elétrica principal de 750 kV em funcionamento — uma condição que eleva substancialmente o perigo em caso de novas avarias.
Uma equipe da AIEA partiu de Viena com destino à linha de frente para acompanhar e observar as operações de reparo. Em comunicado, Grossi afirmou que a agência “continua a colaborar estreitamente com ambas as partes para garantir a segurança nuclear na central de Zaporizhzhia e prevenir um acidente nuclear durante o conflito”. Ele destacou que este cessar‑fogo temporário é o quarto negociado pela organização e evidencia o papel indispensável que a agência tem desempenhado nesse ambiente de alto risco.
Do ponto de vista técnico e civil, a situação é crítica: um sistema energético nacional deteriorado — resultado direto da persistente atividade militar — tem implicações imediatas sobre o funcionamento de usinas nucleares e sobre a proteção das populações próximas. A dependência da linha de 750 kV como única fonte estável transforma qualquer dano em uma ameaça direta à operação segura dos reatores, aos sistemas de resfriamento e, por conseguinte, à saúde pública e ao ambiente.
Como repórter que atua como ponte entre as decisões de Roma e a vida dos cidadãos, sublinho que este episódio é mais que um reparo técnico: é uma intervenção sobre os alicerces da segurança coletiva. A negociação do cessar‑fogo e a mobilização de observadores internacionais são passos necessários para garantir que a arquitetura do sistema energético e as salvaguardas nucleares não sejam derrubadas pelo peso da caneta que escreve ordens de combate.
O papel da AIEA permanecerá prioritário na avaliação da funcionalidade das subestações críticas e na supervisão dos trabalhos. O acompanhamento internacional busca reduzir a margem de erro humano e militar que poderia desencadear contaminação ou um incidente de larga escala — riscos que atravessam fronteiras e afetam cidadãos, migrantes e descendentes de imigrantes europeus, inclusive a comunidade ítalo‑descendente que acompanha de perto a estabilidade regional.
Enquanto os técnicos se preparam para entrar em campo, a comunidade internacional observa. A reparação da linha de 330 kV é um pequeno, mas vital, segmento na construção mais ampla da segurança e da paz: reparar cabos é também reparar a confiança mínima necessária para proteger vidas e evitar que a guerra amplie seus danos além do terreno militar.






















