Ciao, viajante sensorial — aqui é Erica Santini. Em meio à luz dourada que abraça os templos, Paestum voltou a ser o cenário onde o passado sussurra ao futuro: entre 30 de outubro e 2 de novembro aconteceu a 27ª edição da Borsa Mediterranea del Turismo Archeologico (BMTA), um verdadeiro laboratório vivo que une **arqueologia**, **turismo arqueológico** e cooperação internacional.
Andiamo: foram 150 expositores vindos de 15 países, 110 conferências e eventos, cerca de 600 palestrantes, workshops, 16 sessões de Archeo Experience e visitas guiadas aos sítios de Paestum e Velia, além do Museu Arqueológico — uma celebração extensa, sensorial, da herança material e imaterial do Mediterrâneo.
Este ano, a protagonista foi a Síria, com um espaço expositivo dedicado e a conferência “Syria: Cradle of Civilization – Tourism and Culture Renaissance”. Ministros sírios do Turismo e da Cultura, seus vice-ministros e o Diretor-Geral das Antiguidades e Museus participaram, trazendo à BMTA a esperança de um renascimento cultural. O laço entre Paestum e Palmyra tem raízes profundas: em 2016 a Borsa lançou a campanha #Unite4HeritageforPalmyrae, que culminou no gemellaggio oficial em 2018. Hoje, a presença síria em Paestum é símbolo de resilientzia e cooperação cultural — um verdadeiro “ritorno alla vita” para patrimônios feridos.
Na cerimônia, foi conferido o International Archaeological Discovery Award “Palmyra”, o único prêmio mundial dedicado a descobertas arqueológicas e seus protagonistas. A edição de 2025 premiou a descoberta de um enigmático edifício circular na ilha de Creta, pertencente à civilização minoica e evocador do mito do labirinto — prêmio entregue à Ministra da Cultura e do Desporto da Grécia, Lina Mendoni.
No coração da inovação da BMTA está o ArcheoVirtual, uma vetrina desde 2006 — desenvolvida em colaboração com o Istituto di Scienze del Patrimonio Culturale del CNR (Digital Heritage Innovation Laboratory) — onde as tecnologias digitais encontram o patrimônio. Ali se exibem aplicações e projetos de arqueologia virtual: aquisição de dados, reconstrução, visualização e simulação para interpretar e comunicar contextos antigos com precisão e poesia.
Uma das vozes presentes foi Federica Bonifazi, pesquisadora do CNR-ISPC, que apresentou o projeto europeu PERCEIVE. A iniciativa busca redescobrir as cores perdidas do Templo de Ísis em Pompeia através de uma viagem no tempo em realidade interativa — uma experiência que combina diagnóstico, análises científicas e reconstrução digital, permitindo “saborear” a paleta original de um edifício que o tempo desbotou.
Entre as novidades trazidas à mesa das descobertas, destacaram-se também as escavações na Colina Palatina, na área da Vigna Barberini, onde emergiram restos atribuíveis à provável sala de jantar da Domus Aurea. Um modelo impresso em 3D, em escala 1:80, foi realizado graças à colaboração entre a École française de Rome e o Archeo&Arte3D DigiLab, traduzindo em textura física a grandiosidade do projeto neroniano — uma peça que permite tocar a história com as mãos.
Paestum 2025 foi, portanto, mais do que encontros e palestras: foi uma experiência de hospitalidade sofisticada, um convite ao Dolce Far Niente intelectual, onde a arqueologia se revela como narrativa viva. Entre o perfume dos vinhedos, a textura do tempo nas colunas e o sussurro das pedras, a BMTA reafirmou seu papel como ponte entre culturas, ciência e turismo responsável — um abraço mediterrâneo que convida ao diálogo e à (re)descoberta.






















