A cerimônia de abertura do ano em que L’Aquila assume o título de Capitale italiana della Cultura aconteceu na manhã de sábado, 17 de janeiro, no Auditorium da Guardia di Finanza. O evento contou com a presença do presidente da República, Sergio Mattarella, que definiu a cultura como “strumento di convivenza e pace” e destacou seu papel central na construção de diálogo e coesão social.
“O papel de Capitale della Cultura não é exclusivo das instituições: diz respeito à coletividade, à comunidade, a L’Aquila, à província e à Região. É uma oportunidade de crescimento na troca de conhecimento e no encontro”, afirmou o presidente durante a cerimônia inaugural. Mattarella lembrou ainda que, em um momento histórico marcado por ameaças e estratégias predatórias que trazem morte e devastação, a cultura surge como principal ferramenta de diálogo e, portanto, de paz.
Estiveram presentes na inauguração o ministro da Cultura, Alessandro Giuli; o prefeito Pierluigi Biondi — que recebeu oficialmente o testemunho de Agrigento — e o presidente da Região Abruzzo, Marco Marsilio. A direção artística da cerimônia foi assinada pelo maestro Leonardo De Amicis, que concebeu o espetáculo como uma narrativa coral centrada no território.
O projeto artístico, segundo De Amicis, transforma a sequência de quadros em um afresco cultural: em foco, o território dos Apeninos, o diálogo entre L’Aquila e Rieti, as raízes históricas, a reconstrução física e espiritual da cidade e o legado de Celestino V. “Não se trata de uma celebração simples, mas de um ato fundador e de um compromisso coletivo com uma nova estação cultural”, disse o diretor artístico.
A cerimônia foi transmitida ao vivo pela Rai 3 a partir das 10h45 e também pelos canais sociais do Comune dell’Aquila. Os apresentadores foram Francesca Fagnani e Paride Vitale. A abertura oficial contou com a execução do Hino de Mameli e do Hino à Alegria, seguidas por quadros temáticos que exploraram memória, identidade e relação entre centro e periferia.
No programa artístico participaram nomes como o ator Giorgio Pasotti e a cantora Amara, que protagonizaram um segmento sobre as origens da cidade e a escolha comunitária que marcou sua fundação. O tema do confronto entre centro e periferia foi abordado por Simone Cristicchi, acompanhado pela interpretação de “Amara terra mia” por Gianluca Ginoble, do grupo Il Volo.
Houve ainda uma reflexão sobre renascimento e perdão com a atriz Viola Graziosi e a execução de “La Cura“. O valor da comunidade foi retomado por Pasotti, em um momento apoiado pela música de Simona Molinari. A cerimônia procurou articular figurativamente a restauração material e espiritual, projetando um ano de atividades que prometem envolver tanto a cena local quanto interlocuções internacionais.
Do ponto de vista institucional, a passagem de título de Agrigento para L’Aquila foi ressaltada como símbolo de continuidade do projeto nacional das Capitais da Cultura — iniciativa que pretende descentralizar produção cultural e fomentar redes territoriais. A cidade, marcada pelo terremoto e por longos processos de reconstrução, parte agora para uma etapa em que a cultura é apresentada como matriz de recuperação social e econômica.
Relatos da cerimônia enfatizam a intenção de converter exposição e eventos em legado tangível: programas educativos, parcerias com instituições regionais e internacionais, e projetos de arte comunitária destinados a integrar periferias e centros históricos.
Esses são, na prática, os objetivos que o ano de Capitale italiana della Cultura 2026 coloca como desafio para L’Aquila: transformar visibilidade em políticas públicas sustentáveis e em ações culturais que reforcem coesão, memória e reconstrução cívica.






















