Uma carta dirigida aos presidentes do Senado e da Câmara — Ignazio La Russa e Lorenzo Fontana — reúne o apelo conjunto dos grupos de oposição no Parlamento italiano para desbloquear a atual paralisia na Vigilância Rai. Assinada pelos capigruppo de Partito Democratico (PD), Movimento 5 Stelle (M5S), Alleanza Verdi e Sinistra (AVs), Italia Viva (IV), Azione e +Europa, a missiva pede um encontro urgente para restaurar o funcionamento dos órgãos de controle do serviço público de radiodifusão.
No documento, os partidos da oposição descrevem uma “grave situação de impasse institucional” que afeta a governança da Rai e o funcionamento da Comissão de Vigilância. Segundo o texto, a maioria parlamentar teria deliberadamente bloqueado a eleição do presidente de garantia da Rai e estaria promovendo um autoobstruccionismo, com ausência sistemática nas sessões da comissão.
Os signatários afirmam que essa paralisação tem consequências diretas sobre o pluralismo, a independência e a correção da informação, elementos considerados alicerces da democracia. “Risco real de encerrar a legislatura sem a nomeação de uma figura de garantia na Rai”, dizem, lembrando que a falta de órgãos de controle pode favorecer o uso do serviço público como instrumento de propaganda pró-governo, em vez de cumprir a função constitucional de informar com equilíbrio.
As preocupações ganham contorno mais agudo diante da proximidade de importantes momentos eleitorais e referendos: a oposição alerta que a ausência de uma governança de garantia pode afetar a qualidade da cobertura informativa e, por consequência, o correto andamento da competição democrática.
Para responder ao impasse, a carta solicita um encontro imediato com os presidentes das Casas, com objetivos claros:
- Examinar em detalhe as causas e os efeitos do bloqueio institucional na governança da Rai;
- Definir as medidas para superar a paralisia e restaurar o pleno funcionamento dos órgãos de controle e garantia;
- Assegurar que a Rai opere conforme os princípios de pluralismo, independência e transparência previstos na lei e na Constituição;
- Garantir a correção da informação na vigília de relevantes episódios eleitorais.
O apelo das oposições atua como uma ponte entre as instituições e a sociedade: trata-se de recompor os alicerces institucionais para que a Rai possa cumprir sua missão de serviço público de forma imparcial. Em tom firme e técnico, os signatários qualificam o atual bloqueio como inaceitável e antidemocrático, e pedem medidas concretas para evitar que uma lacuna institucional transforme a emissora estatal num instrumento de vantagem partidarizada.
Em suma, a oposição exige ação imediata dos presidentes das duas Assembleias para desmontar o impasse e restabelecer a normalidade na Comissão de Vigilância — um passo considerado essencial para proteger o pluralismo informativo e a integridade do processo democrático.
Giuseppe Borgo
La Via Italia — correspondente de política e cidadania




















