Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes. Andrea Abodi, ministro per lo Sport e dei giovani do governo italiano, não é um novato no universo esportivo. Formado em economia e comércio pela Luiss de Roma, com carreira consolidada em gestão esportiva — entre 1987 e 1994 diretor de marketing da IMG Italia, cofundador da Media Partners Group em 1994, conselheiro do CONI Servizi (2002-2008), presidente da Lega Serie B (2010-2017) e, depois, dirigente do Istituto per il Credito Sportivo — chegou ao cargo ministerial em outubro de 2022 com know‑how comprovado.
Mesmo com esse currículo, a prática tem mostrado resultados distintos. Em poucos meses à frente da pasta, o ministro colecionou deslizes que hoje alimentam críticas públicas e questionamentos institucionais.
Primeiro episódio: a ausência no momento histórico de Jannik Sinner em Wimbledon, em 13 de julho de 2025, quando o tenista italiano conquistou um título inédito para a Itália. Oficialmente, Abodi justificou a ausência com motivos familiares — um direito inquestionável —, mas, do ponto de vista institucional e de imagem, a decisão foi lida por setores do esporte como um sinal de desconexão em um dia de representação nacional.
Segundo episódio: as eleições do CONI, quando Abodi apoiou publicamente um candidato — Luca Pancalli — e viu o pleito consagrar Luciano Bonfiglio. A intervenção ministerial gerou atritos com figuras de peso na base do governo e no próprio Comitato Olimpico, ampliando a percepção de desalinhamento entre declaração pública e eficácia política.
Terceiro e mais recente: a controvérsia sobre os tedofori (portadores da tocha) das Olimpíadas Milano‑Cortina. A lista divulgada excluiu um conjunto de antigas glórias dos esportes de inverno — nomes como Kristian Gros, Giorgio Fauner, Maurilio De Zolt e Gabriella Paruzzi — substituídos, segundo relatos verificados, por pessoas indicadas por patrocinadores. A decisão provocou imediata repercussão nas associações de veteranos e entre ex-atletas, e suscitou perguntas sobre critérios, transparência e a tutela do valor simbólico que a cerimônia carrega.
Paralelamente, circulou com força a notícia de que o ex‑treinador e ícone do futebol, Gennaro Gattuso, não foi convocado para um estágio da seleção nacional — episódio relatado por fontes internas à Federação. A ausência de uma chamada para Gattuso, vista por muitos como um deslize administrativo ou de avaliação técnica, entrou na lista de “outras amenidades” atribuídas ao ministério nas últimas semanas.
O fio condutor dessas situações é, do ponto de vista jornalístico, a combinação entre decisões comunicacionais duvidosas e a sensação de que o ministério tem sido frequentemente surpreendido pelos fatos, em vez de antecipá‑los. Em ambientes onde a exigência por rigor e simbolismo é alta, erros de gestão comunicativa e de governança institucional pagam preço imediato na opinião pública.
Em suma: não se trata de negar a competência técnica do ministro — cujo currículo no setor é substancial —, mas de apontar uma série de sinais práticos que, somados, desenham um quadro de atuação marcada por hesitações e repercussões evitáveis. A apuração in loco e o cruzamento de fontes mostram um ministério reativo, vulnerável a controvérsias que exigiriam maior proatividade e clareza nas escolhas.
O balanço é objetivo: os episódios recentes — da ausência em Wimbledon ao episódio dos tedofori, passando pela disputa pelo CONI e pela questão Gattuso — colocam Abodi sob pressão. Resta ver se a resposta será institucional, técnica e transparente, ou se a pasta continuará acumulando ruídos em momentos sensíveis para o esporte italiano.




















