Ethan Browne, filho do cantor e compositor norte-americano Jackson Browne, morreu em 25 de novembro devido aos efeitos combinados de fentanyl, metanfetamina e lidocaína, segundo o laudo do médico legista do condado de Los Angeles. A causa foi classificada como morte acidental, atribuída ao mix letal dessas substâncias — parte da onda de toxicidade ligada à chamada “droga dos zumbis”, responsável por milhares de mortes por overdose nos Estados Unidos.
Ator e modelo aos 52 anos, Ethan também fundou a gravadora Spinside Records e teve papéis no cinema, entre eles no filme de 2004 ao lado de Kate Hudson (conhecido entre o público italiano como Quando meno te lo aspetti). Filho de Jackson Browne e da atriz Phyllis Major — que se suicidou quando Ethan tinha apenas três anos —, sua trajetória sempre transitou entre a música e as telas, como um ator que conversasse com várias linguagens artísticas.
Um dia após a morte, em 26 de novembro, Jackson Browne divulgou um breve comunicado: “Ethan Browne, filho de Jackson Browne e Phyllis Major, foi encontrado inconsciente em sua residência e faleceu. Pedimos respeito pela privacidade da família neste momento difícil.” Na ocasião, poucos detalhes foram fornecidos. Agora, com o laudo oficial, o quadro foi esclarecido: o óbito foi o resultado da combinação entre o potente analgésico sintético fentanyl, a estimulante metanfetamina e a anestésica local lidocaína.
O fentanyl — aprovado pela FDA nos EUA e pela EMA na Europa para usos médicos controlados — tornou-se, nas últimas décadas, uma substância central da crise de drogas nos Estados Unidos quando usada como entorpecente. Consumo de lotes adulterados atingiu, com particular intensidade, populações vulneráveis, mas o impacto ampliou-se além desses grupos, tocando também nomes do meio artístico. Em 2023, os EUA registraram um pico devastador com mais de 76 mil mortes por overdose atribuídas ao fentanyl, embora estudos recentes publicados na revista Science indiquem uma leve queda subsequente nesses índices.
O cenário geopolítico que cerca a produção e o tráfico do opioide é complexo: o ex-presidente Donald Trump atribuiu grande parte do fornecimento ilegal a países vizinhos como Canadá e México, enquanto análises apontam a China como um dos maiores produtores de precursores. Independentemente das atribuições, a eficácia letal do fentanyl quando misturado a outras drogas demonstra como o mercado de entorpecentes tem se tornado um cenário de transformação e falhas de controle público.
Como observadora da cultura contemporânea, vejo neste episódio um “espelho do nosso tempo”: a tragédia pessoal de Ethan Browne desdobra-se em um roteiro oculto que mistura saúde pública, memória familiar e espectro da indústria do entretenimento. A narrativa não é apenas sobre uma morte, mas sobre como as toxinas do mercado e as feridas históricas pessoais compõem um eco cultural que exige reflexão — e políticas mais humanas e eficazes.






















