Stellantis colocou sobre a mesa um ambicioso plano de investimentos de cerca de US$13 bilhões destinados aos Estados Unidos, com foco no desenvolvimento de software e inovação. A estratégia, anunciada no contexto do Detroit Auto Show, tem como objetivo reforçar a presença norte-americana do grupo priorizando as marcas mais lucrativas, sobretudo Jeep e Ram, enquanto os italianos Fiat e Alfa Romeo veem seu futuro no mercado estadunidense ficar em análise.
Para o grupo, 2026 será o ano da execução operacional. Antonio Filosa, CEO do grupo desde maio do ano passado, disse que a comunidade financeira espera sinais concretos de mudança já até junho, depois de um período de dificuldades, especialmente na América do Norte. Filosa definiu 2026 como o ano de traduzir estratégia em resultados tangíveis e não excluiu revisões no portfólio de marcas caso a implementação não atinja os objetivos.
O novo curso traçado por Filosa representa uma clara alteração de rota em relação à gestão anterior. Ao invés de uma imposição tecnológica rígida, a direção agora é uma abordagem mais pragmática, aderente à demanda real dos consumidores e às dinâmicas de mercado. Em termos de analogia, é como recalibrar o sistema de gestão do motor para extrair eficiência sem sacrificar a dirigibilidade: a transição tecnológica permanece, mas com menor radicalismo.
Entre as medidas projetadas, destaca-se a intenção de reduzir o custo final para o consumidor. Com o preço médio de um veículo nos EUA em torno de US$50 mil, a meta da Stellantis é oferecer uma gama mais acessível por meio de ajuste de preços e lançamento de modelos compactos. Está previsto um novo pick-up Ram de porte médio para 2026, e a empresa estuda introduzir automóveis abaixo da faixa de US$30 mil. O plano originalmente concebido para uma Jeep elétrica de US$25 mil deverá ser revisto, abrindo espaço para motorização diversa conforme a realidade do mercado.
Os números que motivam essa mudança são duros: entre 2021 e 2024 a Stellantis registrou queda das vendas globais em cerca de 12,3%, com um colapso de aproximadamente 27% nos EUA. Esses dados justificam a análise sobre a manutenção das operações das marcas italianas no solo americano. Filosa afirmou que o futuro de Fiat e Alfa Romeo nos EUA está em avaliação, dada a fraca performance comercial, e que não se excluem reorganizações geográficas ou de portfólio caso seja necessário.
Do ponto de vista estratégico e financeiro, trata-se de ajustar os freios e o acelerador do grupo: reduzir custos, realinhar a oferta ao poder aquisitivo do cliente e priorizar as linhas com maior retorno. A decisão de investir massivamente em software demonstra consciência de que o motor da mobilidade moderna é, hoje, tanto mecânico quanto digital — e será preciso dominar ambos para recuperar tração.
Em suma, a nova administração privilegia execução e pragmatismo. Resta ver, nos próximos meses, se a calibragem das ações produzirá a aceleração desejada no mercado mais competitivo do planeta automotivo.






















