Por Chiara Lombardi — Em um desdobramento que mistura fama, memória e o peso do julgamento público, o cantor espanhol Julio Iglesias respondeu diretamente às acusações feitas por duas ex-funcionárias. Em publicação no Instagram, o artista afirmou categoricamente: “Nego de haver abusado, coagido ou desrespeitado qualquer mulher”.
É a primeira manifestação pública do cantor após a divulgação, na terça-feira, de uma investigação jornalística que relatou alegações de supostos abusos ocorridos em residências de Julio Iglesias na República Dominicana, nas Bahamas e na Espanha. Segundo o levantamento do site elDiario, as denunciantes eram funcionárias domésticas — uma doméstica e uma fisioterapeuta — que trabalharam em suas casas.
No seu comunicado, Iglesias mostrou-se abatido com a onda de acusações: “Nunca senti tanta maldade, mas ainda tenho forças para dizer a verdade ao povo e defender minha dignidade de uma ofensa tão grave”, escreveu. Ao mesmo tempo, agradeceu às “muitas pessoas queridas” que lhe enviaram mensagens de apoio, reconhecendo o conforto que tem encontrado nessas demonstrações de lealdade.
A resposta pública segue comentários anteriores divulgados pela assessoria do artista na revista Hola!, onde se disse que “tudo será esclarecido” e que o cantor está “preparando sua defesa”. A repercussão do caso adiciona camadas ao já complexo roteiro da vida pública de uma estrela global: trata-se de uma narrativa na qual fama e poder convivem com a fragilidade das reputações.
A atual esposa de Julio Iglesias, Miranda Rynsburger — holandesa, casada com o cantor desde 2010 e mãe de cinco filhos dele — também se manifestou brevemente no Instagram, escrevendo “Sempre ao seu lado” acompanhada de um emoji de coração. Miranda ainda não havia dado declarações formais às mídias sobre o assunto.
Do ponto de vista cultural, o caso funciona como um espelho do nosso tempo: a vida de ícones públicos é agora inspecionada em alta definição, onde memórias e relatos do passado voltam a emergir no cenário atual. Não é apenas um litígio entre indivíduos; é também um debate sobre poder, trabalho doméstico e as hierarquias que atravessam lares privados e palcos públicos. A acusação e a defesa compõem um roteiro que fala sobre dignidade, imagem e a semiótica do viral — o modo como uma narrativa pode se fragmentar e se recompor na esfera digital.
Enquanto o processo de apuração segue, resta observar como a defesa legal e as investigações jornalísticas irão se entrelaçar. Para os observadores culturais, o episódio convoca reflexões sobre memória coletiva, credibilidade e a responsabilidade dos meios em reconstruir contextos sem perder a complexidade do real.
Atualizaremos esta reportagem à medida que novos desenvolvimentos forem confirmados.






















