Por Aurora Bellini — Acreditar na força simbólica dos gestos é também acender pequenas luzes que iluminam caminhos maiores. Amanhã, em Piacenza, veremos uma dessas luzes ganhar quatro patas: Chico, o famoso maltipoo das redes sociais, será o primeiro portador de tocha a quatro patas na história das Olimpíadas Milano‑Cortina 2026.
Quem acompanha Chico em sua página no Instagram já sabia da expectativa há meses; agora, o momento chega. O pequeno cão, conhecido por seu pelo “biondo cotonato” e por um carisma que transforma rotinas em histórias, assumirá por um trecho simbólico a missão de levar a tocha olímpica. É uma cena que promete semear novos olhares sobre o lugar dos animais em eventos humanos e sobre o significado coletivo de representar a vida.
Ao seu lado estará Francesco Taverna, parceiro de aventuras e cuidador de Chico. Com afeto e bom humor, Taverna define sua função como algo quase técnico e muito humano: “Serei o seu pollice opponibile”, brinca — ou seja, o apoio firme e adaptado para que o ato funcione. Em diálogo com a equipe da La Via Italia, Taverna explicou que a participação vai além do espetáculo: “Queremos mostrar que, na Terra, não existe somente o ser humano; todo ser vivo merece dignidade”. Essa mensagem, entregue com elegância e simplicidade, é o verdadeiro brilho por trás da imagem.
Nos dias que antecederam o evento, Chico manteve uma rotina disciplinada de preparação física. Vídeos publicados em sua conta mostram o cão em ‘modo treinador’, com uma pequena touca inspirada nos heróis do cinema, incentivando Taverna numa pista enevoada como se fossem personagens de uma fábula moderna. Depois da corrida, a cena se repete em academia: o cão liderando, o homem acompanhando, ambos cultivando resistência e cumplicidade.
Como será, na prática, o transporte da tocha olímpica? Os detalhes técnicos ficaram a cargo da organização e do próprio Taverna, que adaptou gestos e equipamentos para garantir segurança e conforto. A imagem que esperamos é delicada e potente: Chico correndo adiante, em passo decidido — um pequeno cometa de alegria — e Taverna logo atrás, sorrindo e atento. Mais do que um espetáculo, trata‑se de um gesto que ilumina novos debates sobre inclusão e respeito entre espécies.
Ao olhar para essa cena, vejo uma metáfora de renascimento cultural: quando escolhemos caminhos que celebram a vida em suas várias formas, tecemos laços sociais mais fortes. Chico não roubará a cena por vaidade; trará luz — literalmente — para conversas que importam. Será um sopro de novidade, uma semente de empatia plantada em solo público.
Seguiremos atentos a cada passo em Piacenza, percebendo nesse gesto uma oportunidade de iluminar comportamentos e inspirar ações concretas em favor dos animais e da convivência ética. Porque, em tempos que pedem lucidez, pequenos gestos simbólicos podem abrir horizontes límpidos.






















