Naquele encontro entre o riso e a reflexão que a televisão italiana sabe oferecer, volta nesta quinta-feira, 15 de janeiro, um rosto que já virou espécie de espelho do nosso tempo. Geppi Cucciari retorna a Rai 3 para comandar o varietà cultural Splendida Cornice, e faz isso trazendo consigo um roteiro pessoal que revela uma trajetória longe do lugar-comum.
Nascida em Cagliari a 18 de agosto de 1973 e criada em Macomer, na província de Nuoro, Geppi Cucciari não é apenas uma apresentadora: sua história tem camadas acadêmicas e atléticas que ajudam a explicar a singularidade de sua voz pública. Em 2001, ela obteve a laurea em Direito pela Università Cattolica del Sacro Cuore de Milão, com uma tese em Direito Internacional Público — um detalhe que reescreve a expectativa sobre o que forma um comunicador público.
Após o diploma, entrou no mundo jurídico trabalhando para um notário. Foi uma passagem breve, porém simbólica: ao pedir demissão, ouviu do próprio notário uma observação que já conta como anedota de bastidores: “pelo menos agora você fará rir em outro lugar e não mais no meu escritório”. Esse pequeno episódio funciona como um reframe do seu destino: o riso tornou-se sua profissão e sua lente para narrar a sociedade.
Da formação acadêmica ao palco, Geppi encontrou no humor e na televisão uma linguagem capaz de refletir o zeitgeist. Seu sucesso em programas como Zelig consolidou-a como uma intérprete sensível das contradições contemporâneas — alguém que mistura observação social com uma performance pessoal contida e eficaz.
Outro capítulo curioso da sua biografia é o vínculo com o esporte: foi ex-jogadora de basquete, experiência que ajuda a compreender disciplina, trabalho em equipe e presença cênica. Não é mero detalhe: a arena esportiva e o palco compartilham ritmos, impulsos e gestos que ela transforma em narrativa televisiva.
Para organizar a leitura desta figura complexa, eis sete segredos que ajudam a decodificar Geppi Cucciari — um pequeno dossiê entre memória e performance:
- Raízes insulares: nascida em Cagliari e criada em Macomer, traz sensibilidade sarda na sua ótica crítica.
- Formação jurídica: graduada em Direito (2001), com tese em Direito Internacional Público.
- Breve carreira notarial: trabalhou para um notário antes de seguir para o humor.
- Transição ao humor: do tribunal ao palco, transformou estudo em ironia reflexiva.
- Sucesso em Zelig: programa que consolidou sua visibilidade nacional.
- Passado esportivo: ex-jogadora de basquete, elemento de disciplina performática.
- Retorno a Rai 3: agora à frente de Splendida Cornice, mistura entretenimento e pensamento crítico.
Como analista cultural, vejo em Geppi Cucciari mais do que uma apresentadora: ela é um pequeno roteiro oculto da sociedade, uma figura que traduz tensões contemporâneas em formatos leves, porém pontiagudos. O seu retorno à televisão pública italiana é, portanto, também um retorno do debate público a espaços onde o entretenimento funciona como semiótica do debate.





















