Por Aurora Bellini — Em um gesto que cortou a rotina urbana como um feixe de luz sobre um mapa antigo, grandes manifestos começaram a aparecer em pontos estratégicos de **Milão** e **Roma**: paredes das plataformas de metrô, mezaninos, pontos de ônibus e paradas de tram. As imagens são diretas e perturbadoras — cortes de **carne** e quartos de boi pendurados em câmaras frigoríficas — acompanhadas por slogans secos como «È successo un macello» e «Nessuno nasce vegano».
Sem marcas, sem contatos, sem hashtags: a ausência de autoria transforma a ação em um enigma. Seria uma tática de **guerrilha de marketing** de grupos animalistas? Uma provocação de associações do setor da carne, reivindicando com orgulho sua atividade? Ou uma operação pensada para desconcertar, plantar dúvidas e acender conversas nas redes? Por enquanto, ninguém assumiu a paternidade. E justamente esse silêncio alimenta as especulações.
Nas comunidades online e nos fóruns, as reações se dividem. Para muitos veganos e vegetarianos, a aparição dos cartazes causa desconforto: imagens que evocam sofrimento provocam angústia em quem optou por uma dieta sem produtos animais por razões éticas. Para outros, pode ser uma tentativa de normalizar e dessensibilizar o público quanto à produção de **carne** — uma estratégia de comunicação que busca transformar o incômodo em hábito.
Alguns sugiram que as peças poderiam estar relacionadas a investigações jornalísticas recentes sobre a indústria da alimentação. Aqui, na La Via Italia, buscamos sempre iluminar novos caminhos: quando temas tão sensíveis ganham ruas e telas, é nossa tarefa revelar contextos e promover diálogo construtivo, sem reduzir a complexidade a slogans.
Especialistas em comunicação consultados por nossa redação defendem que ações de choque podem alcançar ampla visibilidade — e isso parece ter acontecido. Mas o custo pode ser alto: imagens fortes tendem a polarizar e a afastar o público que se pretende sensibilizar. Campanhas que querem transformar hábitos frequentemente resultam melhor quando combinam denúncia com caminhos práticos e positivos para mudança, capazes de semear inovação em vez de apenas inflamar reações.
Também não faltam hipóteses sobre outra possibilidade: que se trate de uma sequência de ações, uma primeira onda que será seguida por materiais explicativos que revelem o autor e a intenção. Essa técnica de etapear mensagens é comum em operações de guerrilha — primeiro, provocar a curiosidade; depois, oferecer a narrativa que a explique.
Enquanto aguardamos mais informações ou uma reivindicação pública, o que fica é a imagem vívida dos cartazes nas cidades, como uma luz que força a cidade a mirar seus próprios hábitos. Esse acontecimento reabre questões centrais: como comunicar ética e produção alimentar em um tempo de fraturas culturais? Que linguagem é eficaz para mudar escolhas sem ferir a dignidade de quem já escolheu caminhos diferentes?
Na La Via Italia, acreditamos que debates difíceis podem ser conduzidos com elegância e responsabilidade. Esperamos que os próximos passos — seja por parte de ativistas, empresas ou órgãos reguladores — convertam choque em oportunidade de esclarecimento e transformação concreta, iluminando um horizonte límpido onde escolhas responsáveis cresçam com informação e empatia.






















