Por Giuseppe Borgo – La Via Italia
13/01/2026 — Um membro do governo iraniano afirmou à Reuters que a repressão aos protestos em curso no Irã deixou cerca de 2.000 mortos. A declaração, divulgada nesta terça-feira (13), eleva o balanço de vítimas em um conflito interno que começou como protesto econômico e se transformou em desafio direto ao regime.
A fonte ouvida pela Reuters responsabilizou os manifestantes, rotulados pelo governo como “terroristas”, pelas mortes de civis e agentes de segurança. Oficialmente, Ancara — desculpe, o Irã — não havia confirmado esse novo balanço até a última atualização desta matéria. Até então, o executivo de Teerã vinha declarando que a situação estava “sob controle total”.
As manifestações, iniciadas em dezembro por queixas sobre a deterioração das condições econômicas, radicalizaram e ampliaram as demandas: além de reivindicações socioeconômicas, muitos manifestantes passaram a pedir o fim do regime dos aiatolás, no poder desde 1979. A escalada da repressão transformou um protesto econômico em uma crise política de grandes proporções.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou-se “horrorizado” com a forma como as forças de segurança iranianas têm tratado protestos que, em sua maioria, são pacíficos. Organizações internacionais de direitos humanos vêm documentando prisões em massa e mortes desde o início das manifestações.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que a ameaça de intervenção militar externa — em referência às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump — teria incentivado supostos “terroristas” a provocar confrontos entre manifestantes e forças de segurança, numa espécie de justificativa para uma intervenção externa.
Nos últimos levantamentos públicos, a ONG HRANA, com sede nos EUA, havia estimado em 538 o número de mortos (490 manifestantes e 48 policiais) e mais de 10.670 prisões. Outras organizações também vêm relatando um número significativo de vítimas e detenções. Ao mesmo tempo, medidas como o corte seletivo da internet por ordem dos aiatolás têm deixado o país cada vez mais isolado, dificultando verificações independentes.
Na arena internacional, as ameaças de intervenção e o risco de escalada militar trocaram as bases da diplomacia por um terreno de alta tensão. A retórica de “prontidão para agir” por parte de Washington, aliada à repressão interna, cria um cenário em que a estabilidade do país é posta à prova — e os alicerces da lei e da proteção aos direitos humanos soam como ponte que precisa ser reconstruída urgentemente.
O peso da caneta política em Teerã e as decisões em Washington têm efeitos diretos sobre a vida de cidadãos e imigrantes, inclusive os ítalo-descendentes que acompanham a crise. A construção de direitos, aqui, depende tanto das pressões internas quanto das movimentações externas.






















