Por Giuseppe Borgo — A maioria de direita no Parlamento italiano formalizou uma resolução que mantém o compromisso de apoio à Ucrânia, mas redesenha o foco para reforçar os alicerces civis do auxílio e ampliar a participação parlamentar no acompanhamento das medidas. O texto, fruto de mediação entre Lega e Fratelli d’Italia, será votado após as comunicações do ministro da Defesa, Guido Crosetto, sobre a prorrogação dos auxílios militares para todo o ano de 2026.
A resolução reafirma que o Governo continuará a apoiar a Ucrânia “por todo o tempo necessário”, combinando assistência material com “um constante empenho diplomático” rumo a uma paz “justa, duradoura e conforme ao direito internacional”. Curiosamente, no corpo do texto o vocábulo usado para os envios é “equipaggiamenti” (equipamentos), em vez do termo explícito “militares” constante no decreto governamental aprovado em 29 de dezembro.
O documento, que o Il Fatto publicou em anteprima e que pode sofrer ajustes finais, organiza-se em cinco pontos de compromisso ao Executivo. Três desses pontos confirmam o núcleo da resolução aprovada em 21 de janeiro de 2025: apoio contínuo à Ucrânia em termos militares e diplomáticos e envolvimento italiano na reconstrução pós-conflito.
Entre as novidades introduzidas especialmente pela Lega estão, primeiro, o reforço explícito dos auxílios civis, sanitários, logísticos e humanitários à população ucraniana — uma tentativa clara de ampliar o guarda-chuva de proteção social oferecido por Roma — e, segundo, o compromisso de assegurar um acompanhamento mais direto do Parlamento sobre a aplicação do decreto e sobre os desenvolvimentos dos negociações internacionais.
Na vertente econômica e industrial, a resolução acrescenta um ponto que valoriza a cooperação industrial com Kiev e incentiva parcerias estratégicas envolvendo o tessuto imprenditoriale italiano, inclusive no âmbito de programas europeus em curso. Há menção direta ao plano Safeda, dotado de 15 bilhões, cujo escopo inclui financiar a produção conjunta de drones com a Ucrânia — uma peça da arquitetura industrial que liga reconstrução e interesses produtivos.
Os últimos dois pontos, também reivindicados pela Lega, tratam da relação entre Governo e Parlamento: o texto pede que as Câmaras sejam mantidas constantemente informadas sobre a implementação do decreto e sobre os avanços das negociações, preservando entretanto a segretezza necessária em relação aos detalhes dos envios de armamentos. É um esforço para construir uma ponte entre a necessidade operacional do Executivo e as prerrogativas de controle parlamentar — o peso da caneta colocada entre segurança e transparência.
Na justificativa, a maioria define a agressão russa como uma “grave ameaça” à segurança europeia e internacional e invoca, três vezes, o respeito ao direito internacional como fundamento do apoio. O registro é notável se confrontado com a postura do mesmo bloco governista em outras crises internacionais, como a do Venezuela, onde o invocar do direito internacional teve tratamento distinto no passado recente.
Do ponto de vista prático, a resolução busca conciliar visões divergentes dentro da coalizão: suaviza o termo militar em favor de equipamentos para acomodar forças que se mostram reticentes em relação ao apoio bélico direto, ao mesmo tempo em que amplia canais de auxílio civil. É uma tentativa de reconstruir consenso sem derrubar as estruturas do apoio estratégico a Kiev.
Enquanto a maioria trabalha nos detalhes finais, fica claro que a resolução quer ser tanto um mapa de ação quanto uma garantia institucional: reforçar a ajuda humanitária, preservar a capacidade de defesa ucraniana por vias discretas e manter o Parlamento como ator central no acompanhamento — a construção de direitos e responsabilidades que ligam Roma a Kiev, tijolo por tijolo.






















