Por Marco Severini — Em um movimento que altera de forma abrupta o clima estratégico na região, sinais convergentes sugerem a possibilidade de um ataque dos EUA contra o Irã nas próximas horas ou dias. A sequência de eventos — um aviso formal da embaixada americana, a retirada de pessoal diplomático francês e mensagens eletrônicas intimidadoras dirigidas a cidadãos israelenses — desenha um padrão que não pode ser subestimado.
O sítio oficial da embaixada americana em Teerã publicou um comunicado aconselhando seus nacionais a deixarem imediatamente o país. Parcela significativa do corpo diplomático francês foi igualmente convocada de volta, com o retorno do pessoal não essencial como medida cautelar.
Paralelamente, relatos vindos de Israel registram o recebimento de mensagens SMS ameaçadoras por milhares de celulares, enviadas de números com o indicativo britânico +44. Frases perturbadoras como “olhem para o céu, vai brilhar à meia‑noite” e “estamos chegando” circularam em massa, reacendendo memórias recentes de operações de guerra psicológica que já vinham sendo atribuídas, por algumas fontes, a atores estatais iranianos.
Autoridades israelenses, citadas pela imprensa local, têm descrito esses SMS como uma tática de intimidação, sem identificar uma ameaça concreta e imediata. A Direção Nacional de Cibersegurança de Israel qualificou as mensagens como scare tactics. Ainda assim, num tabuleiro geopolítico tão sensível, tais sinais não devem ser tratados como mero ruído eletrônico.
No front interno iraniano, Teerã ampliou as acusações de interferência externa. Autoridades iranianas afirmam possuir interceptações em que serviços de inteligência estrangeiros — mencionando o Mossad e a CIA — estariam instigando e coordenando protestos, inclusive incentivando o emprego de força contra manifestantes e forças de segurança. Declarações públicas, prisões e supostas gravações alimentam essa leitura, que por sua vez serve de justificação oficial para medidas de segurança mais duras.
Do ponto de vista estadista, estamos diante de uma sobreposição de vetores de pressão: ações de intimidação cibernética, movimentações diplomáticas e narrativas de desestabilização interna. Cada peça — por si só preocupante —, quando agregada ao conjunto, compõe um movimento de xadrez estratégico capaz de precipitar decisões de alta voltagem. Um eventual ataque dos EUA teria efeitos de amplo espectro, reconfigurando momentaneamente os alicerces da diplomacia regional e criando um novo eixo de tensões entre Teerã, Washington e Jerusalém.
Devemos lembrar que a retórica e os sinais pré‑operacionais raramente se alinham de forma linear; há sempre uma dança calculada de demonstração de força, dissuasão e preparação de narrativa pública. Ainda assim, o apelo urgente à saída de cidadãos estrangeiros e a retirada de funcionários diplomáticos são indicadores clássicos de que o risco de escalada está sendo levado a sério pelos Estados‑maiores.
Nas próximas horas, a vigilância internacional e a capacidade de mediação diplomática serão testadas. O histórico recente do contencioso entre o Irã e potências ocidentais mostra que pequenos movimentos no tabuleiro muitas vezes produzem reverberações maiores, redesenhando fronteiras invisíveis de influência e segurança.
Leitura recomendada: observe os comunicados oficiais das embaixadas e as notas das agências de inteligência; a sequência de comunicados oficiais é, em si, uma pista sobre a direção do próximo movimento.
Marco Severini — La Via Italia






















