Por Giuseppe Borgo — Em pronunciamento no Senado, o vice-premier e ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, classificou como evidentes «comportamentos de negligência» os fatos ligados ao incêndio de Crans-Montana e afirmou ser justo que a Itália se constitua parte civil no processo. O ministro garantiu que o Governo acompanhará e apoiará as investigações da Procuradoria de Roma e das autoridades suíças.
Na abertura da sessão, o presidente do Senado, Ignazio La Russa, convocou a Assembleia para um minuto de silêncio em memória das vítimas do incêndio ocorrido na noite de Ano-Novo. Tajani descreveu o episódio como «um golpe no peito que deixou marca» e declarou ter sentido um sofrimento raro na sua vida, tanto como pai quanto como avô. Reforçou a proximidade do Executivo às famílias atingidas.
O ministro sublinhou que «a busca da verdade é um dever para com as vítimas e os seus familiares», inserindo esse compromisso no esforço de construir os alicerces da responsabilização administrativa e penal. No seu informe, Tajani agradeceu e reconheceu a unidade das forças políticas e das instituições na resposta imediata à tragédia, notando, em especial, a celeridade dos socorros aos feridos.
Além do tema de Crans-Montana, a sessão discutiu os recentes desenvolvimentos sobre a situação do Venezuela. Tajani reportou que atualmente são 42 os italianos detidos no país sul-americano, dos quais 24 são considerados políticos e possuem dupla cidadania. Segundo o ministro, a Itália continuará a trabalhar para, com uma nova relação diplomática entre Roma e Caracas, aumentar a possibilidade de libertação do maior número possível de detidos políticos, com atenção particular aos cidadãos italianos.
O anúncio surge pouco depois do regresso a Roma de Alberto Trentini e Mario Burlò, cujas chegadas foram acompanhadas por anúncio institucional. A pauta legislativa do dia incluiu, a partir das 15h30, informativas urgentes na Câmara dos Deputados — transmitidas em direto pela webtv e pelo canal satélite, com tradução em língua de sinais (LIS) — além da informativa de Tajani prevista para as 12h no Senado.
Na minha função de repórter atento às conexões entre as decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, destaco que o pedido para que o Estado se constitua parte civil tem um significado prático: representa a intenção de erguer uma ponte institucional que traduza indícios de negligência em responsabilização concreta e reparação às vítimas. É um passo que pesa no papel, mas tem impacto real para quem busca justiça e respostas.
O Governo comprometeu-se a cooperar com as autoridades suíças e a magistratura romana, oferecendo suporte técnico e jurídico às investigações. A ação pública, nas palavras de Tajani, é um gesto de dever para com as famílias e para com a própria integridade do Estado.






















